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A Escola Reflexiva
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A Escola Reflexiva
Olá pessoal
O nosso desafio trazer os conceitos do texto (tópico a tópico) que está no livro:
Alarcão, Isabel. Escola Reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed, 2001.
Texto: 1º capitulo do livro “A Escola Reflexiva”
1. A Escola Hoje
2. Como se organiza a escola para cumprir estas funções
3. Mudar a “cara” da Escola
A centralidade das pessoas na escola e o poder das palavras
Liderança, racionalidade lógica e pensamento sistêmico
A escola e seu projeto próprio
A escola entre o local e o universal
A educação para e no exercício da cidadania
Articulação político-administrativo-curricular-pedagogica
O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente.
O desenvolvimento profissional na ação refletida
Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola
O desenvolvimento ecológico de uma escola reflexiva.
4. A escola Reflexiva
5. A escola Reflexiva no enquadramento dos novos paradigmas organizacionais
Como fazer? A primeira pessoa a postar vai copiar a estrutura dos tópicos acima e colocar os conceitos que ela extraiu da leitura. A segunda pessoa copia o texto da 1ª e vai adicionando os seus conceitos (mesmo que os conceitos sejam parecidos vamos escrevê-los com outras palavras).
Segunda, socializaremos o resultado.
O nosso desafio trazer os conceitos do texto (tópico a tópico) que está no livro:
Alarcão, Isabel. Escola Reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed, 2001.
Texto: 1º capitulo do livro “A Escola Reflexiva”
1. A Escola Hoje
2. Como se organiza a escola para cumprir estas funções
3. Mudar a “cara” da Escola
A centralidade das pessoas na escola e o poder das palavras
Liderança, racionalidade lógica e pensamento sistêmico
A escola e seu projeto próprio
A escola entre o local e o universal
A educação para e no exercício da cidadania
Articulação político-administrativo-curricular-pedagogica
O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente.
O desenvolvimento profissional na ação refletida
Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola
O desenvolvimento ecológico de uma escola reflexiva.
4. A escola Reflexiva
5. A escola Reflexiva no enquadramento dos novos paradigmas organizacionais
Como fazer? A primeira pessoa a postar vai copiar a estrutura dos tópicos acima e colocar os conceitos que ela extraiu da leitura. A segunda pessoa copia o texto da 1ª e vai adicionando os seus conceitos (mesmo que os conceitos sejam parecidos vamos escrevê-los com outras palavras).
Segunda, socializaremos o resultado.

pro.ana- Mensagens: 69
Data de inscrição: 26/04/2010
Idade: 45
Conceitos (tópico a tópico) "Escola reflexiva"
1. A Escola Hoje
Isabel Alarcão é perspicaz ao descrever a realidade da Escola Hoje, onde o aluno se sente desestimulado, não é formada adequadamente as suas competências cognitivas, atitudinais, relacionais e comunicativas; desanima e cansa os corpo docente que, por sua vez, se sente solitário e desapoiados pelos dirigentes, comunidade e governantes, em alguns países mais do que em outros. Já que a educação, a escola e os professores são considerados como peças-chave para o desenvolvimento humano, cultural, econômico e social, é preciso que tenha o reconhecimeto e valor que merecem.
É preciso, também, repensar a escola não somente como uma etrutura ou local físico, mas um local de vivência da cidadania, abrangendo um contexto amplo, que envolve vidas, trabalho e esforços de todos os sujeitos que dela fazem , ou um dia, fizeram parte. A escola é tempo de atividade e iniciativa, é tempo de convivência saudável e de cooperação e, ao mesmo tempo, de turbulência que deve ser administrada sem repressão e sem excessos. Sendo assim, a sua função, segundo Alarcão, é preparar cidadão.
2. Como se organiza a escola para cumprir estas funções.
A escola para cumprir estas funções, é necessário que se organize, primeiramente, quebrando paradímas que impossibilitam o acompanhamento das mudanças e das novas exigências da sociedade. Mudando o seu foco de pensamento lógico-matemático e a racionalidade, para potencializar o desenvolvemnto global do ser pessoa. Drucker (1993), citado por Alarcão, defende que a escola terá de sofrer uma mudança radical nos métodos e processos de aprendizagem e nos conteúdos que ensina. Alarcão acrescenta que não é possível desvincular currículo e pedagogia de políticas e administração. Sendo assim, para mudar a escola, é preciso mudar a sua organização e o modo como ela é pensada e gerida.
3. Mudar a “cara” da Escola
- A centralidade das pessoas na escola e o poder das palavras
Alarcão defende que a escola só é viva por ter, fazendo parte dela, os alunos, os professores, os funcionários e os pais, que mesmo não estando lá permanentemente, mas interagem. E, essas têm o poder da palavra, que exprimem, confrontam os seus pontos de vista, aprofundam os seus pensamentos, revelam os seus sentimentos, verbalizam iniciativas, assumem responsabilidades e organizam-se.
- Liderança, racionalidade dialógica e pensamento sistêmico
Por trás de escolas inovadoras tem-se revelado líderes no topo, nas estruturas intermediárias e na base. Isso é importante porque, através desses líderes, haverá a promoção de uma organização dinâmica, situada, responsável e humana, por meio dos cinco pilares de sustentação citados por Alarcão: liderança, visão, diálogo, pensamento e ação.
- A escola e seu projeto próprio
O projeto próprio da escola surge da consciência de sua especificidade, da visão que ela pretende para si própria. Sendo fortalecida à medida que for almentando o nível da cosntrução coletiva, ou seja, a participação efetiva de todos os sujeitos que dela fazem parte; havendo atribuições de responsabilidade; monitorização e avaliação, para que, de fato, se cumpram as ações. Esse projeto institucional específico, demosntra liberdade concedida a cada escola, contanto, que não perca a dimensão educativa, que abrange a área geográfica, o seu país e o mundo.
- A escola entre o local e o universal
A escola não está, e nem deve ficar, isolada do mundo. Mesmo estando no mundo globalizado, é preciso ser levado em consideração as especificidades e particularidades das escolas, afim de aproximá-la das suas comunidades. Mas isso não lhes dá o direito de isolarem-se do mundo, pois fazem parte do mesmo e deve cumprir a sua função de socialização. Sendo que, as novas tecnologias da informação e da comunicação abrem vias de diálogo e oportunidades de cultivar o universal no local.
- A educação para e no exercício da cidadania
Segundo Alarcão, a escola não deve, meramente, preparar o sujeito para a cidadania, mas ir além disso. Nela se tem de viver a cidadania na compreensão da realidade, no exercício da liberdade e da responsabilidade, na atenção e no interesse pelo outro, no respeito pela diversidade, na correta tomada de decisões, no comprometimento com as condições de desenvolvimento humano, social e ambiental.
- Articulação político-administrativo-curricular-pedagogica
A autora informa que na educação formal existe o cruzamento de vetores, sendo eles: políticos, administrativos, curriculares e pedagógicos. Esses devem ser coordenados à medida que tanto os políticos e os administrativos não estejam dissociados dos curriculares e pedagógicos. Mesmo que esses dois últimos tenham limitaçãoes nas tomadas de decisões, que competem aos políticos e administrativos, deve prevalecer o diálogo entre as pessoas, o poder esclarecedor e argumentativo da palavra e a aceitação do ponto de vista do outro, para que assim, haja negociação, compreensão e aceitação.
- O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente.
A escola, como mencionado anteriormente, só tem vida por causa das pessoas que dela fazem parte, que são protagonistas. Dentre essas pessoas, o professor tem maior refer
ência. Os professores são considerados por Alarcão, como autores de primeiro plano, que no passado eram mal compreendedidos e mal olhados, desencadeando assim, a falta de responsabilidade para com a escola e a sociedade. Mas hoje, como assim traz a autora, a sociedade se esforça, para que seja desenvolvidas as condições necessárias para o exercício da docência. Além disso, os professores tomam consciência da sua profissionalidade e do seu poder de responsabilidade em termos individuais e coletivos.
- O desenvolvimento profissional na ação refletida
Como o professor é um profissional cuja atividade implica um conjunto de atos que envolvem seres humanos, a sua ação deve ser impregnada de uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva. Não deve estar excessivamente centrado nos aspectos metodológicos e curriculares, mas sim, em uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares e, também, na importância de buscar uma formação contínua. Isso tudo parte da sua própria ação refletida.
- Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola
Com base em Shcön (1983, 1987), Alarcão considera os professores como co-construtores da escola, pois através do conhecimento que os profissionais constroem a partir da reflexão das suas práticas, a sua participação ativa e crítica contribuirá para o desenvolvimento do conhecimento sobre a própria escola. Será uma epistemologia da vida da escola desenvolvida a partir da co-construção reflexiva sobre a sua missão, as suas atividades e as consequencias delas decorrentes.
- O desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem.
Uma escola em aprendizagem não pode ficar stagnada, deve interagir com as tranformações ocorridas no mundo e no ambiente que a rodeia. Por isso, deve-se manter em uma dinâmica de abertura, interação com o ambiente que a cerca, e flexibilidade, possibilitando a criação de contextos de aprendizagem.
4. A escola Reflexiva
Com foi colocado anteriormente pela autora, que a escola é um organismo vivo, pois é composta por pessoas . Essas, por sua vez, devem fazer com que a escola seja reflexiva, que continuamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização, que tenha consciência da importância do seu processo avaliativo e formativo, ou seja, da razão de ser da sua existência. Tornando-a uma organização autônomo, que conhece as suas reais necessidades de mudanças.
Para isso acontecer, é preciso que, absolutamente, todos os seus membros façam parte de todos os processos, sejam estimulados, motivados a participarem efetivamente de forma reflexiva e dialógica; é preciso estar aberta às mudanças. A organização escolar não pode ter uma estrutura excessivamente hierarquizada, a participação de todos é fundamental para vislumbrar um caminho a ser percorrido de forma refletida sistematicamente e cooperativamente, afim de conquistar o sucesso.
Nessa perspectiva, Alarcão é convicta de que “se quisermos mudar a escola, devemos assumi-la como organismo vivo, dinâmico, capaz de atuar em situação, de interagir e desenvolver-se ecologicamente e de aprender a construir conhecimento sobre si própria nesse processo”. Existem várias diretrizes para mudar ou melhorar uma escola, porém, cabe aos membros a cosnciência de querer fazer, de acreditar que eles são a própria escola, que conhece a si própria. E, melhorando a escola, estará melhorando a si próprio enquanto pessoa, enquanto agente de transformação e de desenvolvimento humano, social, cultural e econômico.
A autora menciona sobre o modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano de (Bronfenbrenner, 1979), esse modelo pressupõe que o indivíduo seja influenciado por um conjunto de contextos interligados (micro, meso e macro). O macro contexto, constituído pelas ideologias e pelos valores assumidos pelo ambiente sócio-político-cultural, exerce nos outros contextos mais próximos, uma enorme influência. Isso resulta na transição ecológica das pessoas envolvidas, que à medida que vai se envolvendo nos diversos contextos, realizando diversas atividades na organização escolar, vai desenvolvendo cada vez mais a sua capacidade de compreensão da realidade e de ação sobre essa própria realidade.
Ao concluir, a autora coloca que para a escola ser reflexiva não pode fechar-se a si mesma, mas abrir-se e pensar-se estratégica e eticamente valorativa, humana e interpessoal.
5. A escola Reflexiva no enquadramento dos novos paradigmas organizacionais
Alarcão encotra algumas semelhanças na escola, no modo como devem ser geridas, relativamente às organizações empresariais, as quais, diante das mudanças nos paradígmas organizacionais que são: o desenvolvimento tecnológico, a globalização, a competitividade do mercado e o efêmero interesse pelo produto instalado em uma sociedade de consumo, descobriram que para conquistar o sucesso precisavam valorizar as pessoas como o maior dos recursos. As quais, a particpação nas decisões, o direito à palavra, a capacidade de responsabilização e avaliação, seriam imprescindíveis. Dessa forma, as pessoas precisariam buscar uma formação contínua, pois não eram mais consideradas como apêndice de maquinas, mas como seres pensantes.
Contudo isso, a autora percebe tamanha semelhança e acredita que para a escola obter sucesso, conhecer a si mesma e se tornar autônomo, deve dar importância aos recursos humanos, o desenvolvimento orientado por uma visão prospectiva e um projeto de ação, a colaboração dialogante, a articulação sistêmica, a vivência dos valores, o profissionalismo assumido, a formação na ação e para a ação, a investigação sobre as práticas, a construção de conhecimento sobre a organização, a monitorização, para que as ações, de fato, aconteçam e a avaliação de processos e resultados.
Isabel Alarcão é perspicaz ao descrever a realidade da Escola Hoje, onde o aluno se sente desestimulado, não é formada adequadamente as suas competências cognitivas, atitudinais, relacionais e comunicativas; desanima e cansa os corpo docente que, por sua vez, se sente solitário e desapoiados pelos dirigentes, comunidade e governantes, em alguns países mais do que em outros. Já que a educação, a escola e os professores são considerados como peças-chave para o desenvolvimento humano, cultural, econômico e social, é preciso que tenha o reconhecimeto e valor que merecem.
É preciso, também, repensar a escola não somente como uma etrutura ou local físico, mas um local de vivência da cidadania, abrangendo um contexto amplo, que envolve vidas, trabalho e esforços de todos os sujeitos que dela fazem , ou um dia, fizeram parte. A escola é tempo de atividade e iniciativa, é tempo de convivência saudável e de cooperação e, ao mesmo tempo, de turbulência que deve ser administrada sem repressão e sem excessos. Sendo assim, a sua função, segundo Alarcão, é preparar cidadão.
2. Como se organiza a escola para cumprir estas funções.
A escola para cumprir estas funções, é necessário que se organize, primeiramente, quebrando paradímas que impossibilitam o acompanhamento das mudanças e das novas exigências da sociedade. Mudando o seu foco de pensamento lógico-matemático e a racionalidade, para potencializar o desenvolvemnto global do ser pessoa. Drucker (1993), citado por Alarcão, defende que a escola terá de sofrer uma mudança radical nos métodos e processos de aprendizagem e nos conteúdos que ensina. Alarcão acrescenta que não é possível desvincular currículo e pedagogia de políticas e administração. Sendo assim, para mudar a escola, é preciso mudar a sua organização e o modo como ela é pensada e gerida.
3. Mudar a “cara” da Escola
- A centralidade das pessoas na escola e o poder das palavras
Alarcão defende que a escola só é viva por ter, fazendo parte dela, os alunos, os professores, os funcionários e os pais, que mesmo não estando lá permanentemente, mas interagem. E, essas têm o poder da palavra, que exprimem, confrontam os seus pontos de vista, aprofundam os seus pensamentos, revelam os seus sentimentos, verbalizam iniciativas, assumem responsabilidades e organizam-se.
- Liderança, racionalidade dialógica e pensamento sistêmico
Por trás de escolas inovadoras tem-se revelado líderes no topo, nas estruturas intermediárias e na base. Isso é importante porque, através desses líderes, haverá a promoção de uma organização dinâmica, situada, responsável e humana, por meio dos cinco pilares de sustentação citados por Alarcão: liderança, visão, diálogo, pensamento e ação.
- A escola e seu projeto próprio
O projeto próprio da escola surge da consciência de sua especificidade, da visão que ela pretende para si própria. Sendo fortalecida à medida que for almentando o nível da cosntrução coletiva, ou seja, a participação efetiva de todos os sujeitos que dela fazem parte; havendo atribuições de responsabilidade; monitorização e avaliação, para que, de fato, se cumpram as ações. Esse projeto institucional específico, demosntra liberdade concedida a cada escola, contanto, que não perca a dimensão educativa, que abrange a área geográfica, o seu país e o mundo.
- A escola entre o local e o universal
A escola não está, e nem deve ficar, isolada do mundo. Mesmo estando no mundo globalizado, é preciso ser levado em consideração as especificidades e particularidades das escolas, afim de aproximá-la das suas comunidades. Mas isso não lhes dá o direito de isolarem-se do mundo, pois fazem parte do mesmo e deve cumprir a sua função de socialização. Sendo que, as novas tecnologias da informação e da comunicação abrem vias de diálogo e oportunidades de cultivar o universal no local.
- A educação para e no exercício da cidadania
Segundo Alarcão, a escola não deve, meramente, preparar o sujeito para a cidadania, mas ir além disso. Nela se tem de viver a cidadania na compreensão da realidade, no exercício da liberdade e da responsabilidade, na atenção e no interesse pelo outro, no respeito pela diversidade, na correta tomada de decisões, no comprometimento com as condições de desenvolvimento humano, social e ambiental.
- Articulação político-administrativo-curricular-pedagogica
A autora informa que na educação formal existe o cruzamento de vetores, sendo eles: políticos, administrativos, curriculares e pedagógicos. Esses devem ser coordenados à medida que tanto os políticos e os administrativos não estejam dissociados dos curriculares e pedagógicos. Mesmo que esses dois últimos tenham limitaçãoes nas tomadas de decisões, que competem aos políticos e administrativos, deve prevalecer o diálogo entre as pessoas, o poder esclarecedor e argumentativo da palavra e a aceitação do ponto de vista do outro, para que assim, haja negociação, compreensão e aceitação.
- O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente.
A escola, como mencionado anteriormente, só tem vida por causa das pessoas que dela fazem parte, que são protagonistas. Dentre essas pessoas, o professor tem maior refer
ência. Os professores são considerados por Alarcão, como autores de primeiro plano, que no passado eram mal compreendedidos e mal olhados, desencadeando assim, a falta de responsabilidade para com a escola e a sociedade. Mas hoje, como assim traz a autora, a sociedade se esforça, para que seja desenvolvidas as condições necessárias para o exercício da docência. Além disso, os professores tomam consciência da sua profissionalidade e do seu poder de responsabilidade em termos individuais e coletivos.
- O desenvolvimento profissional na ação refletida
Como o professor é um profissional cuja atividade implica um conjunto de atos que envolvem seres humanos, a sua ação deve ser impregnada de uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva. Não deve estar excessivamente centrado nos aspectos metodológicos e curriculares, mas sim, em uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares e, também, na importância de buscar uma formação contínua. Isso tudo parte da sua própria ação refletida.
- Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola
Com base em Shcön (1983, 1987), Alarcão considera os professores como co-construtores da escola, pois através do conhecimento que os profissionais constroem a partir da reflexão das suas práticas, a sua participação ativa e crítica contribuirá para o desenvolvimento do conhecimento sobre a própria escola. Será uma epistemologia da vida da escola desenvolvida a partir da co-construção reflexiva sobre a sua missão, as suas atividades e as consequencias delas decorrentes.
- O desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem.
Uma escola em aprendizagem não pode ficar stagnada, deve interagir com as tranformações ocorridas no mundo e no ambiente que a rodeia. Por isso, deve-se manter em uma dinâmica de abertura, interação com o ambiente que a cerca, e flexibilidade, possibilitando a criação de contextos de aprendizagem.
4. A escola Reflexiva
Com foi colocado anteriormente pela autora, que a escola é um organismo vivo, pois é composta por pessoas . Essas, por sua vez, devem fazer com que a escola seja reflexiva, que continuamente se pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização, que tenha consciência da importância do seu processo avaliativo e formativo, ou seja, da razão de ser da sua existência. Tornando-a uma organização autônomo, que conhece as suas reais necessidades de mudanças.
Para isso acontecer, é preciso que, absolutamente, todos os seus membros façam parte de todos os processos, sejam estimulados, motivados a participarem efetivamente de forma reflexiva e dialógica; é preciso estar aberta às mudanças. A organização escolar não pode ter uma estrutura excessivamente hierarquizada, a participação de todos é fundamental para vislumbrar um caminho a ser percorrido de forma refletida sistematicamente e cooperativamente, afim de conquistar o sucesso.
Nessa perspectiva, Alarcão é convicta de que “se quisermos mudar a escola, devemos assumi-la como organismo vivo, dinâmico, capaz de atuar em situação, de interagir e desenvolver-se ecologicamente e de aprender a construir conhecimento sobre si própria nesse processo”. Existem várias diretrizes para mudar ou melhorar uma escola, porém, cabe aos membros a cosnciência de querer fazer, de acreditar que eles são a própria escola, que conhece a si própria. E, melhorando a escola, estará melhorando a si próprio enquanto pessoa, enquanto agente de transformação e de desenvolvimento humano, social, cultural e econômico.
A autora menciona sobre o modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano de (Bronfenbrenner, 1979), esse modelo pressupõe que o indivíduo seja influenciado por um conjunto de contextos interligados (micro, meso e macro). O macro contexto, constituído pelas ideologias e pelos valores assumidos pelo ambiente sócio-político-cultural, exerce nos outros contextos mais próximos, uma enorme influência. Isso resulta na transição ecológica das pessoas envolvidas, que à medida que vai se envolvendo nos diversos contextos, realizando diversas atividades na organização escolar, vai desenvolvendo cada vez mais a sua capacidade de compreensão da realidade e de ação sobre essa própria realidade.
Ao concluir, a autora coloca que para a escola ser reflexiva não pode fechar-se a si mesma, mas abrir-se e pensar-se estratégica e eticamente valorativa, humana e interpessoal.
5. A escola Reflexiva no enquadramento dos novos paradigmas organizacionais
Alarcão encotra algumas semelhanças na escola, no modo como devem ser geridas, relativamente às organizações empresariais, as quais, diante das mudanças nos paradígmas organizacionais que são: o desenvolvimento tecnológico, a globalização, a competitividade do mercado e o efêmero interesse pelo produto instalado em uma sociedade de consumo, descobriram que para conquistar o sucesso precisavam valorizar as pessoas como o maior dos recursos. As quais, a particpação nas decisões, o direito à palavra, a capacidade de responsabilização e avaliação, seriam imprescindíveis. Dessa forma, as pessoas precisariam buscar uma formação contínua, pois não eram mais consideradas como apêndice de maquinas, mas como seres pensantes.
Contudo isso, a autora percebe tamanha semelhança e acredita que para a escola obter sucesso, conhecer a si mesma e se tornar autônomo, deve dar importância aos recursos humanos, o desenvolvimento orientado por uma visão prospectiva e um projeto de ação, a colaboração dialogante, a articulação sistêmica, a vivência dos valores, o profissionalismo assumido, a formação na ação e para a ação, a investigação sobre as práticas, a construção de conhecimento sobre a organização, a monitorização, para que as ações, de fato, aconteçam e a avaliação de processos e resultados.

Mariluza Oliveira- Mensagens: 12
Data de inscrição: 25/07/2011
A Escola Reflexiva
A ESCOLA REFLEXIVA
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
• A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
• Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
• A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
• A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
• A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
• A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
• O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
• O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
• Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
• Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivos, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.

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Re: A Escola Reflexiva
A ESCOLA REFLEXIVA
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
• A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas é o maior o bem mais precioso que a escola possui, pois sem as pessoais não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisa perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola é os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
• Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se senti responsáveis por suas ações dentro da escola.
• A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
• A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firma no universal a sua identidade e assim construir dialogo, socializar conhecimento como as escola no contexto globalizada pra que possa trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação é uma aliada da escola na propagação da universalização do conhecimento.
• A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção Entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembra o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluidas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidiana realize atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
• A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outro. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para da conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
• O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente, estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógica na escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
• O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alerção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige.
Profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa forma e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeito o outro.
• Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
E o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sinta responsáveis construtores e interventores da cultural organizacional da escola. E que é esse se sentir construtores e interventores que faz as ações na escola acontecer, percebe que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
• Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e buscar mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivos, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vive nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que esta inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
• A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas é o maior o bem mais precioso que a escola possui, pois sem as pessoais não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisa perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola é os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
• Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se senti responsáveis por suas ações dentro da escola.
• A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
• A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firma no universal a sua identidade e assim construir dialogo, socializar conhecimento como as escola no contexto globalizada pra que possa trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação é uma aliada da escola na propagação da universalização do conhecimento.
• A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção Entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembra o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluidas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidiana realize atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
• A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outro. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para da conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
• O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente, estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógica na escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
• O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alerção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige.
Profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa forma e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeito o outro.
• Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
E o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sinta responsáveis construtores e interventores da cultural organizacional da escola. E que é esse se sentir construtores e interventores que faz as ações na escola acontecer, percebe que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
• Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e buscar mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivos, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vive nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que esta inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.

Daniele Santana- Mensagens: 15
Data de inscrição: 26/04/2010
Re: A Escola Reflexiva
A ESCOLA REFLEXIVA
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
A escola hoje segundo Alarcão (2001;10), constitui-se em um espaço, um tempo e um contexto de aprendizagem e de desenvolvimento, que frente aos avanços da tecnologia precisa modificar-se para acompanhar as rápidas transformações sociais e atender ao contexto no qual o educando está inserido. Infelizmente muitas escolas não tem espaço apropriado para o convívio, interação que permitam o desenvolvimento de aprendizagem cooperativa e autônoma. A autora ainda concebe a escola como um tempo que na atualidede precisisa ser bem aproveitado para responder às indagações feitas pelos educandos, tempo de desenvolver as capacidades.
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
O texto aponta que a mudança da escola se dá a partir de uma mudança organizacional e administrativa. No decorrer de nosso curso, nas rodas de conversa seja em sala de aula ou mesmo em nossos momentos de troca de experiências extra sala, o que tenho ouvido sobre escolas que estão alcançando os objetivos de aprendizagem, sempre se refere a escolas onde a mudança começa na gestão, onde se é compartilhadas as idéias, descentralizando o poder e abrindo-se para sugestões inovadoras. Isto vêm a confirmar o pensamento de Alarcão quando diz que para que aconteçam mudanças é preciso mudar a maneira como a escola é gerida.
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
• A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas é o maior o bem mais precioso que a escola possui, pois sem as pessoais não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisa perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola é os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
• Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se senti responsáveis por suas ações dentro da escola.
• A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
• A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firma no universal a sua identidade e assim construir dialogo, socializar conhecimento como as escola no contexto globalizada pra que possa trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação é uma aliada da escola na propagação da universalização do conhecimento.
• A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção Entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembra o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluidas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidiana realize atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
• A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outro. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para da conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
• O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente, estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógica na escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
• O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alerção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige.
Profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa forma e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeito o outro.
• Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
E o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sinta responsáveis construtores e interventores da cultural organizacional da escola. E que é esse se sentir construtores e interventores que faz as ações na escola acontecer, percebe que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
• Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e buscar mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
Para mudar a cara da escola não é necessário apenas uma determinação legal, pois esta mudança afetará todos os atores envolvidos com a escola. Como diz a autora envolve o elemento humano e deve decorrer de uma mudança política, administrativa e pedagógica.
Dez idéias são apresentadas no texto como imortantes para que a escola tenha sua “cara mudada”.
I – A centralidade das pessoas na escola e o poder da palavra – cada pessoa é valorizada em sua individualidade e no coletivo ao socializarem e xprimirem suas idéias, eu diria como um corpo onde cada membro precisa ser bem cuidado para seu bom funcionamento.
II – Liderança, Racionalidade dialógica e pensamento sistêmico – O poder precisa ser delegado, os lideres estão no topo, no intermediário e nas bases, suas idéias precisam ser ouvidas e acolhidas para que seja possível o desenvolvimento de um trabalho colaborativo em prol do todo.
III – A escola e seu projeto próprio – Penso que como cada educando é único, assim também cada escola possui sua impressão digital própria, adquirida no seu processo de existência. Por este motivo deve se direcionar por um projeto personificado para sua realidade contextual, construído com a participação das pessoas que estarão envolvidos em sua execução, de outra forma será apenas como diz a autora um mero registro no papel.
IV – A escola entre o local e o universal – Em suas especificidades e particularidades locais a escola está inserida no global e com ele se relaciona. Esta é uma relação onde a escola interage partilhando suas peculiaridades e constrói novos saberes do coletivo universal.
V – A educação para e no exercício da cidadânia – A cara da escola precisa ser mudada não apenas ensinado o que se deve fazer, mas praticando o que se ensina. Muito mais que ensinar como praticar a cidadânia com palavras o ambiente escolar deve ser um local onde se vive a prática da ética, moral, respeito, afetividade...
VI – Articulação Político-Administrativo - Curricular e Pedagógico – A nova cara da escola exige que estes setores estejam abertos ao diálogo e ao trabalho colaborativo.
VII – O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente – Partindo da idéia de que todos os envolvidos no processo educativo são atores, o texto coloca o professor como um ator de primeiro plano que desempenha um papel social, ou seja o profissional docente tem responsabilidades em termos individuais e coletivos.
VIII – O desenvolvimento profissonal na ação refletida – Pelo que entendi não existem moldes determinantes para as ações, cada situação vai exigir do professor uma reflexão, um novo olhar sobre a ação e uma nova ação e isto implica na necessidade constante de atualização profissional.
IX – Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola – A construção da escola deve acontecer por meior de participação crítica e ativa sobre a vida da escola, essa interação favorecerá a reflexão e um maior conhecimento sobre a própria escola.
X – Desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem – Assim como uma plantinha que para não morrer precisa de interações visívei e não visíveis a escola para não estagnar e morrer, precisa estar aberta e flexivel a mudanças e intervenções.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivos, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vive nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
A escola reflexiva é aquela que antes, durante e depois pensa suas ações, pratica um trabalho planejado colaborativo, considerando o ser humano como objeto principal, mantén-se aberta para a comunidade de onde ela retira suas leituras para construir estratégias mais eficazes de aprendizagens. Em interação com as inovações não se isola e desta forma projeta-se no contexto global.
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que esta inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.
Os novos paradigmas organizacionais colocam o homem como maior dos recursos, sua formação, desenvolvimento, trabalho em equipe, participação ativa entre outros aspectos. Os pontos abordados no texto revelam a necessidade de mudanças na escola atual, a escola é por excelência uma instituição organizacional e somente uma escola reflexiva poderá enquadrar-se nos novos paradigmas organizacionais que promoverá um trabalho estimulante e capacitará seus educandos no desenvolvimento de suas relações.
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
A escola hoje segundo Alarcão (2001;10), constitui-se em um espaço, um tempo e um contexto de aprendizagem e de desenvolvimento, que frente aos avanços da tecnologia precisa modificar-se para acompanhar as rápidas transformações sociais e atender ao contexto no qual o educando está inserido. Infelizmente muitas escolas não tem espaço apropriado para o convívio, interação que permitam o desenvolvimento de aprendizagem cooperativa e autônoma. A autora ainda concebe a escola como um tempo que na atualidede precisisa ser bem aproveitado para responder às indagações feitas pelos educandos, tempo de desenvolver as capacidades.
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
O texto aponta que a mudança da escola se dá a partir de uma mudança organizacional e administrativa. No decorrer de nosso curso, nas rodas de conversa seja em sala de aula ou mesmo em nossos momentos de troca de experiências extra sala, o que tenho ouvido sobre escolas que estão alcançando os objetivos de aprendizagem, sempre se refere a escolas onde a mudança começa na gestão, onde se é compartilhadas as idéias, descentralizando o poder e abrindo-se para sugestões inovadoras. Isto vêm a confirmar o pensamento de Alarcão quando diz que para que aconteçam mudanças é preciso mudar a maneira como a escola é gerida.
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
• A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas é o maior o bem mais precioso que a escola possui, pois sem as pessoais não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisa perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola é os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
• Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se senti responsáveis por suas ações dentro da escola.
• A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
• A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firma no universal a sua identidade e assim construir dialogo, socializar conhecimento como as escola no contexto globalizada pra que possa trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação é uma aliada da escola na propagação da universalização do conhecimento.
• A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção Entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembra o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluidas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidiana realize atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
• A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outro. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para da conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
• O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente, estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógica na escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
• O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alerção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige.
Profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa forma e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeito o outro.
• Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
E o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sinta responsáveis construtores e interventores da cultural organizacional da escola. E que é esse se sentir construtores e interventores que faz as ações na escola acontecer, percebe que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
• Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e buscar mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
Para mudar a cara da escola não é necessário apenas uma determinação legal, pois esta mudança afetará todos os atores envolvidos com a escola. Como diz a autora envolve o elemento humano e deve decorrer de uma mudança política, administrativa e pedagógica.
Dez idéias são apresentadas no texto como imortantes para que a escola tenha sua “cara mudada”.
I – A centralidade das pessoas na escola e o poder da palavra – cada pessoa é valorizada em sua individualidade e no coletivo ao socializarem e xprimirem suas idéias, eu diria como um corpo onde cada membro precisa ser bem cuidado para seu bom funcionamento.
II – Liderança, Racionalidade dialógica e pensamento sistêmico – O poder precisa ser delegado, os lideres estão no topo, no intermediário e nas bases, suas idéias precisam ser ouvidas e acolhidas para que seja possível o desenvolvimento de um trabalho colaborativo em prol do todo.
III – A escola e seu projeto próprio – Penso que como cada educando é único, assim também cada escola possui sua impressão digital própria, adquirida no seu processo de existência. Por este motivo deve se direcionar por um projeto personificado para sua realidade contextual, construído com a participação das pessoas que estarão envolvidos em sua execução, de outra forma será apenas como diz a autora um mero registro no papel.
IV – A escola entre o local e o universal – Em suas especificidades e particularidades locais a escola está inserida no global e com ele se relaciona. Esta é uma relação onde a escola interage partilhando suas peculiaridades e constrói novos saberes do coletivo universal.
V – A educação para e no exercício da cidadânia – A cara da escola precisa ser mudada não apenas ensinado o que se deve fazer, mas praticando o que se ensina. Muito mais que ensinar como praticar a cidadânia com palavras o ambiente escolar deve ser um local onde se vive a prática da ética, moral, respeito, afetividade...
VI – Articulação Político-Administrativo - Curricular e Pedagógico – A nova cara da escola exige que estes setores estejam abertos ao diálogo e ao trabalho colaborativo.
VII – O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente – Partindo da idéia de que todos os envolvidos no processo educativo são atores, o texto coloca o professor como um ator de primeiro plano que desempenha um papel social, ou seja o profissional docente tem responsabilidades em termos individuais e coletivos.
VIII – O desenvolvimento profissonal na ação refletida – Pelo que entendi não existem moldes determinantes para as ações, cada situação vai exigir do professor uma reflexão, um novo olhar sobre a ação e uma nova ação e isto implica na necessidade constante de atualização profissional.
IX – Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola – A construção da escola deve acontecer por meior de participação crítica e ativa sobre a vida da escola, essa interação favorecerá a reflexão e um maior conhecimento sobre a própria escola.
X – Desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem – Assim como uma plantinha que para não morrer precisa de interações visívei e não visíveis a escola para não estagnar e morrer, precisa estar aberta e flexivel a mudanças e intervenções.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivos, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vive nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
A escola reflexiva é aquela que antes, durante e depois pensa suas ações, pratica um trabalho planejado colaborativo, considerando o ser humano como objeto principal, mantén-se aberta para a comunidade de onde ela retira suas leituras para construir estratégias mais eficazes de aprendizagens. Em interação com as inovações não se isola e desta forma projeta-se no contexto global.
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que esta inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.
Os novos paradigmas organizacionais colocam o homem como maior dos recursos, sua formação, desenvolvimento, trabalho em equipe, participação ativa entre outros aspectos. Os pontos abordados no texto revelam a necessidade de mudanças na escola atual, a escola é por excelência uma instituição organizacional e somente uma escola reflexiva poderá enquadrar-se nos novos paradigmas organizacionais que promoverá um trabalho estimulante e capacitará seus educandos no desenvolvimento de suas relações.

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Re: A Escola Reflexiva
A ESCOLA REFLEXIVA
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
A escola hoje segundo Alarcão (2001;10), constitui-se em um espaço, um tempo e um contexto de aprendizagem e de desenvolvimento, que frente aos avanços da tecnologia precisa modificar-se para acompanhar as rápidas transformações sociais e atender ao contexto no qual o educando está inserido. Infelizmente muitas escolas não tem espaço apropriado para o convívio, interação que permitam o desenvolvimento de aprendizagem cooperativa e autônoma. A autora ainda concebe a escola como um tempo que na atualidede precisisa ser bem aproveitado para responder às indagações feitas pelos educandos, tempo de desenvolver as capacidades.
A escola se tornou um lugar estimulante, essa é uma afirmação que nos traz profunda tristeza, pois esperamos que neste ambiente se desenvolvesse competências cognitivas, atitudinais, relacionais e comunicativas, além de construímos nossa formação profissional e pessoal. Segundo Alarcão (2001), os motivos que contribuíram para que a escola perdesse sua missão estão relacionados ao cansaço e o desânimo manifestados por tantos professores que sentem se solitários, desapoiados pelos dirigentes, pelas comunidades e pelos governos, além da forma de gestão que tem sido desenvolvida na instituição de ensino com autoritarismo, e as relações que se estabelecem não visa atingir os mesmos objetivos como o de preparar cidadãos para a vida.
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
O texto aponta que a mudança da escola se dá a partir de uma mudança organizacional e administrativa. No decorrer de nosso curso, nas rodas de conversa seja em sala de aula ou mesmo em nossos momentos de troca de experiências extra sala, o que tenho ouvido sobre escolas que estão alcançando os objetivos de aprendizagem, sempre se refere a escolas onde a mudança começa na gestão, onde se é compartilhadas as idéias, descentralizando o poder e abrindo-se para sugestões inovadoras. Isto vêm a confirmar o pensamento de Alarcão quando diz que para que aconteçam mudanças é preciso mudar a maneira como a escola é gerida.
É preciso mudar a organização escolar e o modo como ela é gerida, a partir disso re-significar a organização disciplinar, pedagógica, pensando sobre o contexto que a sociedade se encontrar, a qual tem vivido profundas mudanças.
Diante disso, a escola terá que sofrer uma mudança racial, sair da zona do desânimo e cansaço, dos planos das idéias que só ficam no papel e se tornar exeqüível nas suas ações organizacionais administrativas, pedagógicas e também nos valores e nas relações humanas que nela se vivem
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
A mudança da “cara da escola” só acontecerá quando a comunidade escolar juntamente com a sociedade se envolverem nas questões decisões político- administrativo-pedagógicas, mudando a cultura da escola para isso é necessário envolver as pessoas.
• A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas é o maior o bem mais precioso que a escola possui, pois sem as pessoais não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisa perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola é os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
Para que é uma organização escolar exista é necessário que tenha pessoas, pois ainda que tivesse todos os recursos necessários para funcionamento da instituição seriam desperdiçados.
As pessoas dão sentido à vida da escola, elas têm a capacidade de tomar decisões, realizar estudo, fazer a limpeza do local, atuar na área administrativa, política e pedagógica, além de expressarem seus sentimentos e pensamentos. Certamente o que construir a identidade da escola são as relações das pessoas entre si e de si próprias com o seu trabalho em busca de uma educação que busca o melhor a cada dia, em que o maior objetivo centra-se na aprendizagem do educando
• Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se senti responsáveis por suas ações dentro da escola.
Conseguimos identificar quando uma pessoa assume uma posição de liderança, esse perfil independente do nível que se situam na escola. O interessante é quando essa liderança é participativa e valorizar a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. Percebemos uma escola participativa e democrática, apostando na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola por meio do diálogo, do consenso. Como afirma Alarcão “Liderança, visão, diálogo, pensamento e ação são os cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica, situada, responsável e humana” (2003, p.20)
• A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
A escola que conhece a si própria, assume suas idéias e quais cidadãos pretendem formar desenvolver o seu próprio projeto educativo, por meio dele é possível identificar os objetivos e as estratégias que se pretende atingir.
• A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firma no universal a sua identidade e assim construir dialogo, socializar conhecimento como as escola no contexto globalizada pra que possa trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação é uma aliada da escola na propagação da universalização do conhecimento.
A escola é local e o mesmo tempo ela precisa ser universal, pois o mundo globalizado em que vivemos, entra em vários setores socioculturais a consciência da especificidade e da particularidade.
A partir do momento que nos permitimos em sair do nosso local e conhecermos a riqueza que os outros oferecem, temos a oportunidade de contribuir com a aprendizagem de alguém e também aprender diferentes formas de educar e de viver. A sociedade da informação e comunicação tem nos possibilitado vivenciar vias de dialógico e de conhecimento
• A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção Entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembra o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluidas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidiana realize atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
Alarcão (2001), afirma que a cidadania que se esperar na escola reflexiva centra-se na compreensão da realidade de se própria e principalmente no/do outro no que diz respeito às condições de desenvolvimento humano, social e ambiental.
• A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outro. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para da conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
Para que as articulações políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas se dialoguem é necessário que a negociação, a compreensão, a aceitação e o respeito existiam, para que assim possa conhecer a finalidade que cada setor assume, além da sensibilidade de perceber a importância do apoio administrativo na coordenação das dimensões pedagógicas, curriculares e a dependência de ambas.
• O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente, estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógica na escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
O professor tem um papel fundamental na formação das pessoas, se reconhecêssemos que os médicos, os garis, os advogados, as empregadas domesticas e todo mundo já teve pelo menos um professor na vida, certamente daríamos o devido valor a este profissional. O governo faria mais investimento na formação docente e daria as condições necessárias para a realização do exercício a docência que muitas das vezes ultrapassa a mera dimensão pedagógica e assume o psicólogo, o pai, a mãe dos educandos.
Hoje eu sei quanto à sociedade exige do professor que tanta dá e pouco recebe. O seu maior prêmio é ver um dos seus educandos encontrando o caminho para aprendizagem.
• O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alerção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige.
Profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa forma e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeito o outro.
Segundo Alarção o profissional de educação faz reflexões sobre suas ações e sobre a escola que faz parte, procurar conhecer as necessidades da instituição e como pode colaborar para melhor da mesma.
Ao realizar suas reflexões e de como intervir na realidade encontrada na sociedade contemporânea, nas organizações escolares, o profissional de educação é movido pelo conhecimento de conhecer a si mesmo e gerar aprendizagem, alem de ter consciência da sua respnsabilidade social e profissional na vida dos seus educandos.
• Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
E o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sinta responsáveis construtores e interventores da cultural organizacional da escola. E que é esse se sentir construtores e interventores que faz as ações na escola acontecer, percebe que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
Só é possivel ter a epistomologia da prática quando existe profissionais que fazem reflexões sobre as ações das escola e sua prática, conforme Schon. Sendo o professor co-participante das implementações desenvolvida na escola certamente este profissional emitir muitas opiniões que podem colaborar para identificação dos problemas e soluções dos mesmos.
• Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e buscar mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
Para mudar a cara da escola não é necessário apenas uma determinação legal, pois esta mudança afetará todos os atores envolvidos com a escola. Como diz a autora envolve o elemento humano e deve decorrer de uma mudança política, administrativa e pedagógica.
Dez idéias são apresentadas no texto como imortantes para que a escola tenha sua “cara mudada”.
I – A centralidade das pessoas na escola e o poder da palavra – cada pessoa é valorizada em sua individualidade e no coletivo ao socializarem e xprimirem suas idéias, eu diria como um corpo onde cada membro precisa ser bem cuidado para seu bom funcionamento.
II – Liderança, Racionalidade dialógica e pensamento sistêmico – O poder precisa ser delegado, os lideres estão no topo, no intermediário e nas bases, suas idéias precisam ser ouvidas e acolhidas para que seja possível o desenvolvimento de um trabalho colaborativo em prol do todo.
III – A escola e seu projeto próprio – Penso que como cada educando é único, assim também cada escola possui sua impressão digital própria, adquirida no seu processo de existência. Por este motivo deve se direcionar por um projeto personificado para sua realidade contextual, construído com a participação das pessoas que estarão envolvidos em sua execução, de outra forma será apenas como diz a autora um mero registro no papel.
IV – A escola entre o local e o universal – Em suas especificidades e particularidades locais a escola está inserida no global e com ele se relaciona. Esta é uma relação onde a escola interage partilhando suas peculiaridades e constrói novos saberes do coletivo universal.
V – A educação para e no exercício da cidadânia – A cara da escola precisa ser mudada não apenas ensinado o que se deve fazer, mas praticando o que se ensina. Muito mais que ensinar como praticar a cidadânia com palavras o ambiente escolar deve ser um local onde se vive a prática da ética, moral, respeito, afetividade...
VI – Articulação Político-Administrativo - Curricular e Pedagógico – A nova cara da escola exige que estes setores estejam abertos ao diálogo e ao trabalho colaborativo.
VII – O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente – Partindo da idéia de que todos os envolvidos no processo educativo são atores, o texto coloca o professor como um ator de primeiro plano que desempenha um papel social, ou seja o profissional docente tem responsabilidades em termos individuais e coletivos.
VIII – O desenvolvimento profissonal na ação refletida – Pelo que entendi não existem moldes determinantes para as ações, cada situação vai exigir do professor uma reflexão, um novo olhar sobre a ação e uma nova ação e isto implica na necessidade constante de atualização profissional.
IX – Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola – A construção da escola deve acontecer por meior de participação crítica e ativa sobre a vida da escola, essa interação favorecerá a reflexão e um maior conhecimento sobre a própria escola.
X – Desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem – Assim como uma plantinha que para não morrer precisa de interações visívei e não visíveis a escola para não estagnar e morrer, precisa estar aberta e flexivel a mudanças e intervenções.
Um dos temas mais discutidos no o mundo diz respeito ao meio ambiente. A escola como um espaço dinâmica que gera aprendizagem não pode deixar de participar e entender acerca das transformações que vêm ocorrendo no mundo, logo deve está atentar aos acontecimentos e desenvolvendo projetos, meios que levem a comunidade escolar está inseridas nas discussões globais estimulando e criando contextos de aprendizagens.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivos, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vive nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
A escola reflexiva é aquela que antes, durante e depois pensa suas ações, pratica um trabalho planejado colaborativo, considerando o ser humano como objeto principal, mantén-se aberta para a comunidade de onde ela retira suas leituras para construir estratégias mais eficazes de aprendizagens. Em interação com as inovações não se isola e desta forma projeta-se no contexto global.
Alarção apresentar uma escola reflexiva que se conhece a si propria e questiona a si mesmo e que é capaz de entender os seus desafios e superá-lo, essa escola muitas das vezes parece um modelo útopico, diante das realidades escolares que têm se apresentado, conseguir conceber uma escola reflexiva só é possivel quando se acreditar que numa prática reflexiva que acompanha o desejo de comprender a razão da existencia desse instituição na vida da sociedade.
“Quando consideramos a escola como um organismo vivo inserido em um ambiente proprio”, entendemos que a escola deixou de ser um prédio com pessoas conformadas, silenciosa e se tornou um organização ativa e possuidora de elementos vivos que cada um ter um potencial neste espaço.
Por isso, a escola não pode se tornar um lugar fechado, mas sim aberto a conhecer, a pensar ......
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que esta inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.
Os novos paradigmas organizacionais colocam o homem como maior dos recursos, sua formação, desenvolvimento, trabalho em equipe, participação ativa entre outros aspectos. Os pontos abordados no texto revelam a necessidade de mudanças na escola atual, a escola é por excelência uma instituição organizacional e somente uma escola reflexiva poderá enquadrar-se nos novos paradigmas organizacionais que promoverá um trabalho estimulante e capacitará seus educandos no desenvolvimento de suas relações.
Com a globalização, o competividade do mercado, a escola é um lugar que deve trabalhar o potencial de cada pessoa, desenvolvendo suas habilidades para se tornar um ser aprendente capaz de transformar a realidade que vive por meio do dialógo, do conhecimento.
Mais uma vez a importância da os recursos humanos, no desenvolvimento orientado de uma visão prospectiva e sistêmática de valores, que resulta no processo de aprendizagem e avaliação como resultado.
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
A escola hoje segundo Alarcão (2001;10), constitui-se em um espaço, um tempo e um contexto de aprendizagem e de desenvolvimento, que frente aos avanços da tecnologia precisa modificar-se para acompanhar as rápidas transformações sociais e atender ao contexto no qual o educando está inserido. Infelizmente muitas escolas não tem espaço apropriado para o convívio, interação que permitam o desenvolvimento de aprendizagem cooperativa e autônoma. A autora ainda concebe a escola como um tempo que na atualidede precisisa ser bem aproveitado para responder às indagações feitas pelos educandos, tempo de desenvolver as capacidades.
A escola se tornou um lugar estimulante, essa é uma afirmação que nos traz profunda tristeza, pois esperamos que neste ambiente se desenvolvesse competências cognitivas, atitudinais, relacionais e comunicativas, além de construímos nossa formação profissional e pessoal. Segundo Alarcão (2001), os motivos que contribuíram para que a escola perdesse sua missão estão relacionados ao cansaço e o desânimo manifestados por tantos professores que sentem se solitários, desapoiados pelos dirigentes, pelas comunidades e pelos governos, além da forma de gestão que tem sido desenvolvida na instituição de ensino com autoritarismo, e as relações que se estabelecem não visa atingir os mesmos objetivos como o de preparar cidadãos para a vida.
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
O texto aponta que a mudança da escola se dá a partir de uma mudança organizacional e administrativa. No decorrer de nosso curso, nas rodas de conversa seja em sala de aula ou mesmo em nossos momentos de troca de experiências extra sala, o que tenho ouvido sobre escolas que estão alcançando os objetivos de aprendizagem, sempre se refere a escolas onde a mudança começa na gestão, onde se é compartilhadas as idéias, descentralizando o poder e abrindo-se para sugestões inovadoras. Isto vêm a confirmar o pensamento de Alarcão quando diz que para que aconteçam mudanças é preciso mudar a maneira como a escola é gerida.
É preciso mudar a organização escolar e o modo como ela é gerida, a partir disso re-significar a organização disciplinar, pedagógica, pensando sobre o contexto que a sociedade se encontrar, a qual tem vivido profundas mudanças.
Diante disso, a escola terá que sofrer uma mudança racial, sair da zona do desânimo e cansaço, dos planos das idéias que só ficam no papel e se tornar exeqüível nas suas ações organizacionais administrativas, pedagógicas e também nos valores e nas relações humanas que nela se vivem
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
A mudança da “cara da escola” só acontecerá quando a comunidade escolar juntamente com a sociedade se envolverem nas questões decisões político- administrativo-pedagógicas, mudando a cultura da escola para isso é necessário envolver as pessoas.
• A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas é o maior o bem mais precioso que a escola possui, pois sem as pessoais não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisa perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola é os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
Para que é uma organização escolar exista é necessário que tenha pessoas, pois ainda que tivesse todos os recursos necessários para funcionamento da instituição seriam desperdiçados.
As pessoas dão sentido à vida da escola, elas têm a capacidade de tomar decisões, realizar estudo, fazer a limpeza do local, atuar na área administrativa, política e pedagógica, além de expressarem seus sentimentos e pensamentos. Certamente o que construir a identidade da escola são as relações das pessoas entre si e de si próprias com o seu trabalho em busca de uma educação que busca o melhor a cada dia, em que o maior objetivo centra-se na aprendizagem do educando
• Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se senti responsáveis por suas ações dentro da escola.
Conseguimos identificar quando uma pessoa assume uma posição de liderança, esse perfil independente do nível que se situam na escola. O interessante é quando essa liderança é participativa e valorizar a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. Percebemos uma escola participativa e democrática, apostando na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola por meio do diálogo, do consenso. Como afirma Alarcão “Liderança, visão, diálogo, pensamento e ação são os cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica, situada, responsável e humana” (2003, p.20)
• A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
A escola que conhece a si própria, assume suas idéias e quais cidadãos pretendem formar desenvolver o seu próprio projeto educativo, por meio dele é possível identificar os objetivos e as estratégias que se pretende atingir.
• A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firma no universal a sua identidade e assim construir dialogo, socializar conhecimento como as escola no contexto globalizada pra que possa trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação é uma aliada da escola na propagação da universalização do conhecimento.
A escola é local e o mesmo tempo ela precisa ser universal, pois o mundo globalizado em que vivemos, entra em vários setores socioculturais a consciência da especificidade e da particularidade.
A partir do momento que nos permitimos em sair do nosso local e conhecermos a riqueza que os outros oferecem, temos a oportunidade de contribuir com a aprendizagem de alguém e também aprender diferentes formas de educar e de viver. A sociedade da informação e comunicação tem nos possibilitado vivenciar vias de dialógico e de conhecimento
• A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção Entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembra o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluidas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidiana realize atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
Alarcão (2001), afirma que a cidadania que se esperar na escola reflexiva centra-se na compreensão da realidade de se própria e principalmente no/do outro no que diz respeito às condições de desenvolvimento humano, social e ambiental.
• A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outro. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para da conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
Para que as articulações políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas se dialoguem é necessário que a negociação, a compreensão, a aceitação e o respeito existiam, para que assim possa conhecer a finalidade que cada setor assume, além da sensibilidade de perceber a importância do apoio administrativo na coordenação das dimensões pedagógicas, curriculares e a dependência de ambas.
• O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente, estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógica na escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
O professor tem um papel fundamental na formação das pessoas, se reconhecêssemos que os médicos, os garis, os advogados, as empregadas domesticas e todo mundo já teve pelo menos um professor na vida, certamente daríamos o devido valor a este profissional. O governo faria mais investimento na formação docente e daria as condições necessárias para a realização do exercício a docência que muitas das vezes ultrapassa a mera dimensão pedagógica e assume o psicólogo, o pai, a mãe dos educandos.
Hoje eu sei quanto à sociedade exige do professor que tanta dá e pouco recebe. O seu maior prêmio é ver um dos seus educandos encontrando o caminho para aprendizagem.
• O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alerção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige.
Profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa forma e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeito o outro.
Segundo Alarção o profissional de educação faz reflexões sobre suas ações e sobre a escola que faz parte, procurar conhecer as necessidades da instituição e como pode colaborar para melhor da mesma.
Ao realizar suas reflexões e de como intervir na realidade encontrada na sociedade contemporânea, nas organizações escolares, o profissional de educação é movido pelo conhecimento de conhecer a si mesmo e gerar aprendizagem, alem de ter consciência da sua respnsabilidade social e profissional na vida dos seus educandos.
• Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
E o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sinta responsáveis construtores e interventores da cultural organizacional da escola. E que é esse se sentir construtores e interventores que faz as ações na escola acontecer, percebe que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
Só é possivel ter a epistomologia da prática quando existe profissionais que fazem reflexões sobre as ações das escola e sua prática, conforme Schon. Sendo o professor co-participante das implementações desenvolvida na escola certamente este profissional emitir muitas opiniões que podem colaborar para identificação dos problemas e soluções dos mesmos.
• Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e buscar mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
Para mudar a cara da escola não é necessário apenas uma determinação legal, pois esta mudança afetará todos os atores envolvidos com a escola. Como diz a autora envolve o elemento humano e deve decorrer de uma mudança política, administrativa e pedagógica.
Dez idéias são apresentadas no texto como imortantes para que a escola tenha sua “cara mudada”.
I – A centralidade das pessoas na escola e o poder da palavra – cada pessoa é valorizada em sua individualidade e no coletivo ao socializarem e xprimirem suas idéias, eu diria como um corpo onde cada membro precisa ser bem cuidado para seu bom funcionamento.
II – Liderança, Racionalidade dialógica e pensamento sistêmico – O poder precisa ser delegado, os lideres estão no topo, no intermediário e nas bases, suas idéias precisam ser ouvidas e acolhidas para que seja possível o desenvolvimento de um trabalho colaborativo em prol do todo.
III – A escola e seu projeto próprio – Penso que como cada educando é único, assim também cada escola possui sua impressão digital própria, adquirida no seu processo de existência. Por este motivo deve se direcionar por um projeto personificado para sua realidade contextual, construído com a participação das pessoas que estarão envolvidos em sua execução, de outra forma será apenas como diz a autora um mero registro no papel.
IV – A escola entre o local e o universal – Em suas especificidades e particularidades locais a escola está inserida no global e com ele se relaciona. Esta é uma relação onde a escola interage partilhando suas peculiaridades e constrói novos saberes do coletivo universal.
V – A educação para e no exercício da cidadânia – A cara da escola precisa ser mudada não apenas ensinado o que se deve fazer, mas praticando o que se ensina. Muito mais que ensinar como praticar a cidadânia com palavras o ambiente escolar deve ser um local onde se vive a prática da ética, moral, respeito, afetividade...
VI – Articulação Político-Administrativo - Curricular e Pedagógico – A nova cara da escola exige que estes setores estejam abertos ao diálogo e ao trabalho colaborativo.
VII – O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente – Partindo da idéia de que todos os envolvidos no processo educativo são atores, o texto coloca o professor como um ator de primeiro plano que desempenha um papel social, ou seja o profissional docente tem responsabilidades em termos individuais e coletivos.
VIII – O desenvolvimento profissonal na ação refletida – Pelo que entendi não existem moldes determinantes para as ações, cada situação vai exigir do professor uma reflexão, um novo olhar sobre a ação e uma nova ação e isto implica na necessidade constante de atualização profissional.
IX – Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola – A construção da escola deve acontecer por meior de participação crítica e ativa sobre a vida da escola, essa interação favorecerá a reflexão e um maior conhecimento sobre a própria escola.
X – Desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem – Assim como uma plantinha que para não morrer precisa de interações visívei e não visíveis a escola para não estagnar e morrer, precisa estar aberta e flexivel a mudanças e intervenções.
Um dos temas mais discutidos no o mundo diz respeito ao meio ambiente. A escola como um espaço dinâmica que gera aprendizagem não pode deixar de participar e entender acerca das transformações que vêm ocorrendo no mundo, logo deve está atentar aos acontecimentos e desenvolvendo projetos, meios que levem a comunidade escolar está inseridas nas discussões globais estimulando e criando contextos de aprendizagens.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivos, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vive nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
A escola reflexiva é aquela que antes, durante e depois pensa suas ações, pratica um trabalho planejado colaborativo, considerando o ser humano como objeto principal, mantén-se aberta para a comunidade de onde ela retira suas leituras para construir estratégias mais eficazes de aprendizagens. Em interação com as inovações não se isola e desta forma projeta-se no contexto global.
Alarção apresentar uma escola reflexiva que se conhece a si propria e questiona a si mesmo e que é capaz de entender os seus desafios e superá-lo, essa escola muitas das vezes parece um modelo útopico, diante das realidades escolares que têm se apresentado, conseguir conceber uma escola reflexiva só é possivel quando se acreditar que numa prática reflexiva que acompanha o desejo de comprender a razão da existencia desse instituição na vida da sociedade.
“Quando consideramos a escola como um organismo vivo inserido em um ambiente proprio”, entendemos que a escola deixou de ser um prédio com pessoas conformadas, silenciosa e se tornou um organização ativa e possuidora de elementos vivos que cada um ter um potencial neste espaço.
Por isso, a escola não pode se tornar um lugar fechado, mas sim aberto a conhecer, a pensar ......
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que esta inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.
Os novos paradigmas organizacionais colocam o homem como maior dos recursos, sua formação, desenvolvimento, trabalho em equipe, participação ativa entre outros aspectos. Os pontos abordados no texto revelam a necessidade de mudanças na escola atual, a escola é por excelência uma instituição organizacional e somente uma escola reflexiva poderá enquadrar-se nos novos paradigmas organizacionais que promoverá um trabalho estimulante e capacitará seus educandos no desenvolvimento de suas relações.
Com a globalização, o competividade do mercado, a escola é um lugar que deve trabalhar o potencial de cada pessoa, desenvolvendo suas habilidades para se tornar um ser aprendente capaz de transformar a realidade que vive por meio do dialógo, do conhecimento.
Mais uma vez a importância da os recursos humanos, no desenvolvimento orientado de uma visão prospectiva e sistêmática de valores, que resulta no processo de aprendizagem e avaliação como resultado.

jolima- Mensagens: 14
Data de inscrição: 26/04/2010
A Escola Reflexiva
1. A Escola Hoje
Alarcão (2001) apresenta uma reflexão sobre a escola na atualidade abordando o sentimento de professoras e educandos quanto à estrutura escolar. O cansaço provocado pela rotina escolar da forma em que se configurou desestimula a aprendizagem do educando e desvaloriza o trabalho dos professores que se sentem solitários, sem apoio da direção, de outros colegas e do poder público. A escola se configurou ao longo dos anos como um espaço com salas de aula para a memorização de disciplinas sem relevância e/ou significado para o educando. Mas, de forma contraditória, todos reconhecem que a escola tem a função social de agente para o desenvolvimento humano.
Apesar da constatação de escolas com o perfil descontextualizado das vivências e objetivos dos educadores, educandos, familiares e funcionários existem escolas com projetos próprios que estimulam a aprendizagem de diversas formas: da interação, da flexibilização de atividades e aproximação com a comunidade.
Alarcão elucida que o contexto escolar precisa ser de trabalho para o desenvolvimento da aprendizagem e de conscientização da função em que cada participante deve desempenhar com autonomia e colaboração, observando que o tempo que se passa não volta. Por isso a escola é a própria vida, ela é um local onde pessoas se desenvolvem e desenvolvem projetos para a cidadania.
2. Como se organiza a escola para cumprir estas funções
Para cumprir a sua função social a escola precisa acompanhar as mudanças na sociedade e preparar o educando para a complexidade do mundo atual. A escola precisa mudar o seu currículo, métodos e conteúdos para um desenvolvimento global do educando, associando currículo e pedagogia a políticas e administração, passando do plano das ideias para a ação.
3. Mudar a “cara” da Escola
Isabel Alarcão explica, a partir de uma afirmação do educador Paulo Freire, que para a mudança necessária à escola não basta a vontade, o desejo de realizar, mas o envolvimento de toda a comunidade escolar: estudantes, professores, familiares, direção e funcionários nas decisões político-pedagógicas e administrativas.
A autora relata que o período atual em que as escolas estão sendo descentralizadas e com maior responsabilização, assumindo a própria gestão, algumas estão conseguindo realizar mudanças para pensar a si própria e tornarem-se reflexivas. Alarcão apresenta reflexões sobre essa temática e o conceito de escola reflexiva nos sub-tópicos seguintes.
• A centralidade das pessoas na escola e o poder das palavras
A escola existe por conta das pessoas que participam dela. Apenas o espaço físico e pessoas sem relação entre si não garantem a sua qualidade e estabilidade para melhoria da educação. A ação de organizarem-se, de discutirem pontos de vista e de socializarem-se repercute em reflexão, debate de possibilidades e de escolhas para soluções discutidas em coletividade.
• Liderança, racionalidade lógica e pensamento sistêmico
Em todos os setores do ambiente escolar inovador é possível encontrar líderes, no setor financeiro, secretaria, limpeza e não apenas na gestão. Numa escola participativa e democrática as decisões são tomadas em conjunto, todos interagem não importando de onde a ideia tenha partido. A interação entre a comunidade escolar e a responsabilidade individual com o trabalho são a causa do sucesso na educação.
• A escola e seu projeto próprio
A autora trata da importância da construção do próprio projeto educativo pelas escolas observando as suas necessidades e expectativas. Para que o projeto seja aplicado e atinja os objetivos pretendidos são organizadas as funções de cada ator escolar, todos se responsabilizam pela execução. Delineia-se o processo e realiza-se a avaliação dos resultados alcançados, a partir desses resultados desenvolvem-se novas ações.
• A escola entre o local e o universal
Com a globalização surge em todos os setores socioculturais a necessidade de cultivar a própria identidade sem deixar de dialogar com outras culturas. As escolas se integram e desenvolvem-se no contexto em que estão inseridas aproximando-se da comunidade. A escola, tanto local quanto as de outras partes do mundo, possuem em comum as funções de socialização e por ser a própria vida mantêm suas particularidades e características locais, pois é formada por pessoas. As novas tecnologias contribuem para a aproximação e diálogo entre as escolas, permitindo a permanência do global no ambiente comunitário.
• A educação para e no exercício da cidadania
A autora destaca como contradições num mundo globalizado que aproximou pessoas a competitividade, o individualismo e a falta de solidariedade. Ela atribui como causa dessa contradição a concepções equivocada de que a escola é um espaço de preparação para a vida, quando deveria ser vista como a própria vida. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e responsabilidade e que a partir da vida da escola desenvolve-se a educação para o comprometimento social e ambiental.
• Articulação político-administrativo-curricular-pedagógica
O ato de ensinar e aprender está ligado a questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas. O sucesso de um projeto depende de seu planejamento, de financiamento e acompanhamento até o momento de avaliação dos resultados. Nesse processo vários organismos estão envolvidos e por esse motivo precisam estar coordenados de forma colaborativa.
• O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente.
Na escola, a gestão, os professores, educandos, outros funcionários e familiares são atores que tem uma função a ser desempenhada. Mas, o professor é o principal ator porque o seu papel perpassa todos os âmbitos das relações na escola e acompanham o desenvolvimento da instituição. A autora fala que num passado recente os professores foram mal compreendidos e por isso os professores deixaram de assumir as suas responsabilidades e de desenvolver a sua função social. Mas, essa situação tem se modificado porque eles estão tomando consciência da própria profissionalidade e papel social que vai além da dimensão pedagógica.
• O desenvolvimento profissional na ação refletida
A complexidade da escola requer dos professores a capacidade de leitura e interpretação dos acontecimentos e problemas para buscar soluções por meio da cooperação, de olhares multidimensionais e investigação na ação e pela ação. Para isso os professores, assim como os gestores, devem ter consciência da necessidade de formação continuada, reconhecendo que a busca pelo conhecimento é interminável. A autora revela que a escola que valoriza o conhecimento e a aprendizagem promove o crescimento de seus profissionais e incentivam a qualificação.
• Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola
A participação ativa e crítica do professor na vida da escola contribuem para o melhor conhecimento da escola e consequentemente para a reflexão e avaliação de suas práticas. O conhecimento gerado a partir da interação entre a natureza e os problemas da escola com sua particularidade desenvolverá o conhecimento do todo, global, superando a fragmentação e incompreensão. Essa interação de forma refletida sobre a missão da escola, suas atividades e resultados é apontada como epistemologia da vida, que é acompanhada da epistemologia da prática, apresentada por Schon, que é o conhecimento resultado da reflexão sobre a prática.
• O desenvolvimento ecológico de uma escola reflexiva.
O desenvolvimento institucional depende das transformações no mundo e no ambiente. De forma interativa, ela se desenvolverá e criará contextos de aprendizagem com a participação de pessoas que formarão a comunidade escolar e poderão cumprir a missão de identificar, propor, discutir e colaborar para agir em favor da transformação social e desenvolvimento ecológico.
4. A escola Reflexiva
A escola reflexiva diferente de outras escolas pensa sobre a sua prática, sua missão social e organização envolvendo todos os atores escolares de forma que todos os setores dialoguem entre si, envolvendo todos na construção do seu projeto e na avaliação dos resultados.
É uma escola que observa a realidade social de sua comunidade interna e externa para desenvolver ações para a intervenção de problemas, compreendendo e dialogando antes de agir.
As escolas precisam mudar para se atualizarem e exercerem as suas funções sociais num mundo de mudanças e incertezas. A atualização das escolas implica na aprendizagem para além da reprodução e memorização e passividade, os educandos devem ser mobilizados para a participação, reflexão, diálogo e tomada de decisão.
A escola reflexiva, em desenvolvimento e aprendizagem surge pelo pensamento e pratica reflexivos da sua existência, características, função social e identidade própria. O seu projeto é construído por seus membros de forma dialogada.
A apresentação da concepção de Bronfenbrenner auxilia na reflexão sobre a influência que o conjunto de contextos interligados podem exercer. Alarcão elucida que o desenvolvimento institucional em determinado contexto sócio-político-cultural pode possibilitar a mudança como pode estagnar. A escola é um organismo vivo que semelhante as pessoas se desenvolve em interação.
O desenvolvimento escolar acontece quando a instituição desenvolve a capacidade de ler os ambientes e agir sobre eles, de forma aberta, flexível e pensar estratégica e eticamente. Muitas instituições tem se desenvolvido sem considerar a dimensão ética, humana e interpessoal, mas para que a instituição escolar vivencie a cidadania cumprindo a sua função social é necessário que essas dimensões não sejam esquecidas. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e cooperação.
5. A escola Reflexiva no enquadramento dos novos paradigmas organizacionais
Os novos paradigmas organizacionais demonstram as mudanças de estratégias para se ajustar às mudanças ocorridas na sociedade ao longo dos anos com o avanço da tecnologia, globalização, a competitividade e consumismo. Em decorrência desse contexto o humano passou a ser a figura central do processo, incentivando-se o desenvolvimento de competências, atualização de conhecimentos e qualificação. A autora descreve que se passou a valorizar “a participação em decisões, o direito à palavra, a capacidade de responsabilização e avaliação” (2001, p. 29). Consequentemente, o conhecimento sobre gestão foi se estruturando e apresentando características de uma organização dentro do contexto de desenvolvimento e avanço tecnológico, com a concepção de organização aprendente. A autora, nessa perspectiva, apresenta uma nova escola com características semelhantes ao sistema organizacional de empresas, destacando a “importância dos recursos humanos, com visão prospectiva, projeto de ação e colaboração dialogante, articulação sistêmica, vivência de valores, profissionalismo, formação na ação e para a ação, ... e avaliação de processos”. (Alarcão, p. 29, 2001)
Pelas características necessárias a escola contemporânea como: qualificação, autonomia profissional, formação continuada, objetivos sociais, as organizações educativas se estruturam como sistemas de aprendizagem organizacional.
Alarcão (2001) apresenta uma reflexão sobre a escola na atualidade abordando o sentimento de professoras e educandos quanto à estrutura escolar. O cansaço provocado pela rotina escolar da forma em que se configurou desestimula a aprendizagem do educando e desvaloriza o trabalho dos professores que se sentem solitários, sem apoio da direção, de outros colegas e do poder público. A escola se configurou ao longo dos anos como um espaço com salas de aula para a memorização de disciplinas sem relevância e/ou significado para o educando. Mas, de forma contraditória, todos reconhecem que a escola tem a função social de agente para o desenvolvimento humano.
Apesar da constatação de escolas com o perfil descontextualizado das vivências e objetivos dos educadores, educandos, familiares e funcionários existem escolas com projetos próprios que estimulam a aprendizagem de diversas formas: da interação, da flexibilização de atividades e aproximação com a comunidade.
Alarcão elucida que o contexto escolar precisa ser de trabalho para o desenvolvimento da aprendizagem e de conscientização da função em que cada participante deve desempenhar com autonomia e colaboração, observando que o tempo que se passa não volta. Por isso a escola é a própria vida, ela é um local onde pessoas se desenvolvem e desenvolvem projetos para a cidadania.
2. Como se organiza a escola para cumprir estas funções
Para cumprir a sua função social a escola precisa acompanhar as mudanças na sociedade e preparar o educando para a complexidade do mundo atual. A escola precisa mudar o seu currículo, métodos e conteúdos para um desenvolvimento global do educando, associando currículo e pedagogia a políticas e administração, passando do plano das ideias para a ação.
3. Mudar a “cara” da Escola
Isabel Alarcão explica, a partir de uma afirmação do educador Paulo Freire, que para a mudança necessária à escola não basta a vontade, o desejo de realizar, mas o envolvimento de toda a comunidade escolar: estudantes, professores, familiares, direção e funcionários nas decisões político-pedagógicas e administrativas.
A autora relata que o período atual em que as escolas estão sendo descentralizadas e com maior responsabilização, assumindo a própria gestão, algumas estão conseguindo realizar mudanças para pensar a si própria e tornarem-se reflexivas. Alarcão apresenta reflexões sobre essa temática e o conceito de escola reflexiva nos sub-tópicos seguintes.
• A centralidade das pessoas na escola e o poder das palavras
A escola existe por conta das pessoas que participam dela. Apenas o espaço físico e pessoas sem relação entre si não garantem a sua qualidade e estabilidade para melhoria da educação. A ação de organizarem-se, de discutirem pontos de vista e de socializarem-se repercute em reflexão, debate de possibilidades e de escolhas para soluções discutidas em coletividade.
• Liderança, racionalidade lógica e pensamento sistêmico
Em todos os setores do ambiente escolar inovador é possível encontrar líderes, no setor financeiro, secretaria, limpeza e não apenas na gestão. Numa escola participativa e democrática as decisões são tomadas em conjunto, todos interagem não importando de onde a ideia tenha partido. A interação entre a comunidade escolar e a responsabilidade individual com o trabalho são a causa do sucesso na educação.
• A escola e seu projeto próprio
A autora trata da importância da construção do próprio projeto educativo pelas escolas observando as suas necessidades e expectativas. Para que o projeto seja aplicado e atinja os objetivos pretendidos são organizadas as funções de cada ator escolar, todos se responsabilizam pela execução. Delineia-se o processo e realiza-se a avaliação dos resultados alcançados, a partir desses resultados desenvolvem-se novas ações.
• A escola entre o local e o universal
Com a globalização surge em todos os setores socioculturais a necessidade de cultivar a própria identidade sem deixar de dialogar com outras culturas. As escolas se integram e desenvolvem-se no contexto em que estão inseridas aproximando-se da comunidade. A escola, tanto local quanto as de outras partes do mundo, possuem em comum as funções de socialização e por ser a própria vida mantêm suas particularidades e características locais, pois é formada por pessoas. As novas tecnologias contribuem para a aproximação e diálogo entre as escolas, permitindo a permanência do global no ambiente comunitário.
• A educação para e no exercício da cidadania
A autora destaca como contradições num mundo globalizado que aproximou pessoas a competitividade, o individualismo e a falta de solidariedade. Ela atribui como causa dessa contradição a concepções equivocada de que a escola é um espaço de preparação para a vida, quando deveria ser vista como a própria vida. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e responsabilidade e que a partir da vida da escola desenvolve-se a educação para o comprometimento social e ambiental.
• Articulação político-administrativo-curricular-pedagógica
O ato de ensinar e aprender está ligado a questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas. O sucesso de um projeto depende de seu planejamento, de financiamento e acompanhamento até o momento de avaliação dos resultados. Nesse processo vários organismos estão envolvidos e por esse motivo precisam estar coordenados de forma colaborativa.
• O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente.
Na escola, a gestão, os professores, educandos, outros funcionários e familiares são atores que tem uma função a ser desempenhada. Mas, o professor é o principal ator porque o seu papel perpassa todos os âmbitos das relações na escola e acompanham o desenvolvimento da instituição. A autora fala que num passado recente os professores foram mal compreendidos e por isso os professores deixaram de assumir as suas responsabilidades e de desenvolver a sua função social. Mas, essa situação tem se modificado porque eles estão tomando consciência da própria profissionalidade e papel social que vai além da dimensão pedagógica.
• O desenvolvimento profissional na ação refletida
A complexidade da escola requer dos professores a capacidade de leitura e interpretação dos acontecimentos e problemas para buscar soluções por meio da cooperação, de olhares multidimensionais e investigação na ação e pela ação. Para isso os professores, assim como os gestores, devem ter consciência da necessidade de formação continuada, reconhecendo que a busca pelo conhecimento é interminável. A autora revela que a escola que valoriza o conhecimento e a aprendizagem promove o crescimento de seus profissionais e incentivam a qualificação.
• Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola
A participação ativa e crítica do professor na vida da escola contribuem para o melhor conhecimento da escola e consequentemente para a reflexão e avaliação de suas práticas. O conhecimento gerado a partir da interação entre a natureza e os problemas da escola com sua particularidade desenvolverá o conhecimento do todo, global, superando a fragmentação e incompreensão. Essa interação de forma refletida sobre a missão da escola, suas atividades e resultados é apontada como epistemologia da vida, que é acompanhada da epistemologia da prática, apresentada por Schon, que é o conhecimento resultado da reflexão sobre a prática.
• O desenvolvimento ecológico de uma escola reflexiva.
O desenvolvimento institucional depende das transformações no mundo e no ambiente. De forma interativa, ela se desenvolverá e criará contextos de aprendizagem com a participação de pessoas que formarão a comunidade escolar e poderão cumprir a missão de identificar, propor, discutir e colaborar para agir em favor da transformação social e desenvolvimento ecológico.
4. A escola Reflexiva
A escola reflexiva diferente de outras escolas pensa sobre a sua prática, sua missão social e organização envolvendo todos os atores escolares de forma que todos os setores dialoguem entre si, envolvendo todos na construção do seu projeto e na avaliação dos resultados.
É uma escola que observa a realidade social de sua comunidade interna e externa para desenvolver ações para a intervenção de problemas, compreendendo e dialogando antes de agir.
As escolas precisam mudar para se atualizarem e exercerem as suas funções sociais num mundo de mudanças e incertezas. A atualização das escolas implica na aprendizagem para além da reprodução e memorização e passividade, os educandos devem ser mobilizados para a participação, reflexão, diálogo e tomada de decisão.
A escola reflexiva, em desenvolvimento e aprendizagem surge pelo pensamento e pratica reflexivos da sua existência, características, função social e identidade própria. O seu projeto é construído por seus membros de forma dialogada.
A apresentação da concepção de Bronfenbrenner auxilia na reflexão sobre a influência que o conjunto de contextos interligados podem exercer. Alarcão elucida que o desenvolvimento institucional em determinado contexto sócio-político-cultural pode possibilitar a mudança como pode estagnar. A escola é um organismo vivo que semelhante as pessoas se desenvolve em interação.
O desenvolvimento escolar acontece quando a instituição desenvolve a capacidade de ler os ambientes e agir sobre eles, de forma aberta, flexível e pensar estratégica e eticamente. Muitas instituições tem se desenvolvido sem considerar a dimensão ética, humana e interpessoal, mas para que a instituição escolar vivencie a cidadania cumprindo a sua função social é necessário que essas dimensões não sejam esquecidas. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e cooperação.
5. A escola Reflexiva no enquadramento dos novos paradigmas organizacionais
Os novos paradigmas organizacionais demonstram as mudanças de estratégias para se ajustar às mudanças ocorridas na sociedade ao longo dos anos com o avanço da tecnologia, globalização, a competitividade e consumismo. Em decorrência desse contexto o humano passou a ser a figura central do processo, incentivando-se o desenvolvimento de competências, atualização de conhecimentos e qualificação. A autora descreve que se passou a valorizar “a participação em decisões, o direito à palavra, a capacidade de responsabilização e avaliação” (2001, p. 29). Consequentemente, o conhecimento sobre gestão foi se estruturando e apresentando características de uma organização dentro do contexto de desenvolvimento e avanço tecnológico, com a concepção de organização aprendente. A autora, nessa perspectiva, apresenta uma nova escola com características semelhantes ao sistema organizacional de empresas, destacando a “importância dos recursos humanos, com visão prospectiva, projeto de ação e colaboração dialogante, articulação sistêmica, vivência de valores, profissionalismo, formação na ação e para a ação, ... e avaliação de processos”. (Alarcão, p. 29, 2001)
Pelas características necessárias a escola contemporânea como: qualificação, autonomia profissional, formação continuada, objetivos sociais, as organizações educativas se estruturam como sistemas de aprendizagem organizacional.

Lílian Oliveira- Mensagens: 15
Data de inscrição: 26/04/2010
A ESCOLA REFLEXIVA
A ESCOLA REFLEXIVA
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
A escola hoje segundo Alarcão (2001;10), constitui-se em um espaço, um tempo e um contexto de aprendizagem e de desenvolvimento, que frente aos avanços da tecnologia precisa modificar-se para acompanhar as rápidas transformações sociais e atender ao contexto no qual o educando está inserido. Infelizmente muitas escolas não tem espaço apropriado para o convívio, interação que permitam o desenvolvimento de aprendizagem cooperativa e autônoma. A autora ainda concebe a escola como um tempo que na atualidede precisa ser bem aproveitado para responder às indagações feitas pelos educandos, tempo de desenvolver as capacidades.
A escola se tornou um lugar estimulante, essa é uma afirmação que nos traz profunda tristeza, pois esperamos que neste ambiente se desenvolvesse competências cognitivas, atitudinais, relacionais e comunicativas, além de construímos nossa formação profissional e pessoal. Segundo Alarcão (2001), os motivos que contribuíram para que a escola perdesse sua missão estão relacionados ao cansaço e o desânimo manifestados por tantos professores que sentem se solitários, desapoiados pelos dirigentes, pelas comunidades e pelos governos, além da forma de gestão que tem sido desenvolvida na instituição de ensino com autoritarismo, e as relações que se estabelecem não visa atingir os mesmos objetivos como o de preparar cidadãos para a vida.
Alarcão (2001) apresenta uma reflexão sobre a escola na atualidade abordando o sentimento de professoras e educandos quanto à estrutura escolar. O cansaço provocado pela rotina escolar da forma em que se configurou desestimula a aprendizagem do educando e desvaloriza o trabalho dos professores que se sentem solitários, sem apoio da direção, de outros colegas e do poder público. A escola se configurou ao longo dos anos como um espaço com salas de aula para a memorização de disciplinas sem relevância e/ou significado para o educando. Mas, de forma contraditória, todos reconhecem que a escola tem a função social de agente para o desenvolvimento humano.
Apesar da constatação de escolas com o perfil descontextualizado das vivências e objetivos dos educadores, educandos, familiares e funcionários existem escolas com projetos próprios que estimulam a aprendizagem de diversas formas: da interação, da flexibilização de atividades e aproximação com a comunidade.
Alarcão elucida que o contexto escolar precisa ser de trabalho para o desenvolvimento da aprendizagem e de conscientização da função em que cada participante deve desempenhar com autonomia e colaboração, observando que o tempo que se passa não volta. Por isso a escola é a própria vida, ela é um local onde pessoas se desenvolvem e desenvolvem projetos para a cidadania.
E como um espaço gerador de vida, a escola precisa acompanhar os avanços e mudanças que estão ocorrendo, e quando falamos e avanços e mudanças, não estamos nos referindo apenas aos avanços tecnológicos e mudanças climáticas. Antes, estamos falando dos avanços e mudanças sociais que as escolas ainda teimam de deixar fora das grandes.
A escola hoje mais do que nunca precisa ser um espaço acolhedor e atrativo. Em outras palavras, os estudantes precisam se sentir acolhidos e bem vindos, afinal, existe um mundo lá fora cheio de armadilhas e livrá-los destas, também é dever da escola hoje, já que esta é tida como um dos principais espaços educativos. Além do mais, como bem afirmou Paulo Freire: "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
O texto aponta que a mudança da escola se dá a partir de uma mudança organizacional e administrativa. No decorrer de nosso curso, nas rodas de conversa seja em sala de aula ou mesmo em nossos momentos de troca de experiências extra sala, o que tenho ouvido sobre escolas que estão alcançando os objetivos de aprendizagem, sempre se refere a escolas onde a mudança começa na gestão, onde se é compartilhadas as idéias, descentralizando o poder e abrindo-se para sugestões inovadoras. Isto vêm a confirmar o pensamento de Alarcão quando diz que para que aconteçam mudanças é preciso mudar a maneira como a escola é gerida.
É preciso mudar a organização escolar e o modo como ela é gerida, a partir disso re-significar a organização disciplinar, pedagógica, pensando sobre o contexto que a sociedade se encontra, a qual tem vivido profundas mudanças.
Diante disso, a escola terá que sofrer uma mudança radical, sair da zona do desânimo e cansaço, dos planos das idéias que só ficam no papel e se tornar exeqüível nas suas ações organizacionais administrativas, pedagógicas e também nos valores e nas relações humanas que nela se vivem.
Para cumprir a sua função social a escola precisa acompanhar as mudanças na sociedade e preparar o educando para a complexidade do mundo atual. A escola precisa mudar o seu currículo, métodos e conteúdos para um desenvolvimento global do educando, associando currículo e pedagogia a políticas e administração, passando do plano das idéias para a ação. E mais ainda do que mudar estes itens citados, a escola precisa se organizar quanto às relações pessoais internas e externas, já que um dos grandes problemas da sociedade atual consiste exatamente na falta de diálogo entre os pares. Pois não há como pensar em estratégias de melhoria se não se conhecer as verdadeiras causas dos problemas e dificuldades.
Em outras palavras, para se organizar para cumprir suas funções a escola precisa traçar objetivos, metas; conhecer seu público e suas necessidades, conhecer as dificuldades dos seus funcionários, conhecer as demandas sociais e ser pertencente a comunidade na qual está inserida.
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
A mudança da “cara da escola” só acontecerá quando a comunidade escolar juntamente com a sociedade se envolverem nas questões decisões político- administrativo-pedagógicas, mudando a cultura da escola para isso é necessário envolver as pessoas.
Isabel Alarcão explica, a partir de uma afirmação do educador Paulo Freire, que para a mudança necessária à escola não basta a vontade, o desejo de realizar, mas o envolvimento de toda a comunidade escolar: estudantes, professores, familiares, direção e funcionários nas decisões político-pedagógicas e administrativas.
A autora relata que o período atual em que as escolas estão sendo descentralizadas e com maior responsabilização, assumindo a própria gestão, algumas estão conseguindo realizar mudanças para pensar a si própria e tornarem-se reflexivas. Alarcão apresenta reflexões sobre essa temática e o conceito de escola reflexiva nos sub-tópicos seguintes.
1- A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas são os bens mais preciosos que a escola possui, pois sem as pessoas não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisam perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola são os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
Para que é uma organização escolar exista é necessário que tenha pessoas, pois ainda que tivesse todos os recursos necessários para funcionamento da instituição seriam desperdiçados.
As pessoas dão sentido à vida da escola, elas têm a capacidade de tomar decisões, realizar estudo, fazer a limpeza do local, atuar na área administrativa, política e pedagógica, além de expressarem seus sentimentos e pensamentos. Certamente o que construir a identidade da escola são as relações das pessoas entre si e de si próprias com o seu trabalho em busca de uma educação que busca o melhor a cada dia, em que o maior objetivo centra-se na aprendizagem do educando.
A escola existe por conta das pessoas que participam dela. Apenas o espaço físico e pessoas sem relação entre si não garantem a sua qualidade e estabilidade para melhoria da educação. A ação de organizarem-se, de discutirem pontos de vista e de socializarem-se repercute em reflexão, debate de possibilidades e de escolhas para soluções discutidas em coletividade.
Diante disto, se são as pessoas que dão vida e movimento ao prédio escolar, por qual motivo que insistem tanto em não deixarem as pessoas participarem das decisões escolares? Será que existe algum interesse por trás disso? Esse é dos aspectos que urge ser pensado se quisermos de fato mudar a cara da escola.
2- Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se sentem responsáveis por suas ações dentro da escola.
Conseguimos identificar quando uma pessoa assume uma posição de liderança, esse perfil independente do nível que se situam na escola. O interessante é quando essa liderança é participativa e valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. Percebemos uma escola participativa e democrática, apostando na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola por meio do diálogo, do consenso. Como afirma Alarcão “Liderança, visão, diálogo, pensamento e ação são os cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica, situada, responsável e humana” (2003, p.20)
Em todos os setores do ambiente escolar inovador é possível encontrar líderes, no setor financeiro, secretaria, limpeza e não apenas na gestão. Numa escola participativa e democrática as decisões são tomadas em conjunto, todos interagem não importando de onde a idéia tenha partido. A interação entre a comunidade escolar e a responsabilidade individual com o trabalho são a causa do sucesso na educação. Em uma escola em que todos trabalham com a finalidade de atingir as mesmas metas e objetivos não tem como a educação de qualidade não acontecer.
3- A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma, cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
A escola que conhece a si própria, assume suas idéias e quais cidadãos pretendem formar desenvolver o seu próprio projeto educativo, por meio dele é possível identificar os objetivos e as estratégias que se pretende atingir.
A autora trata da importância da construção do próprio projeto educativo pelas escolas observando as suas necessidades e expectativas. Para que o projeto seja aplicado e atinja os objetivos pretendidos são organizadas as funções de cada ator escolar, todos se responsabilizam pela execução. Delineia-se o processo e realiza-se a avaliação dos resultados alcançados, a partir desses resultados desenvolvem-se novas ações. Isso com certeza contribui muito para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.
A escola puder elaborar seu próprio projeto político foi sem dúvida um grande passo rumo a mudança que tanto precisamos.
4- A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firmar no universal a sua identidade e assim construir diálogo, socializar conhecimento com as escola no contexto globalizada pra que possam trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação são aliadas da escola na propagação da universalização do conhecimento.
A escola é local e o mesmo tempo ela precisa ser universal, pois o mundo globalizado em que vivemos, entra em vários setores socioculturais a consciência da especificidade e da particularidade.
A partir do momento que nos permitimos em sair do nosso local e conhecermos a riqueza que os outros oferecem, temos a oportunidade de contribuir com a aprendizagem de alguém e também aprender diferentes formas de educar e de viver. A sociedade da informação e comunicação tem nos possibilitado vivenciar vias dialógicas e de conhecimento.
Com a globalização surge em todos os setores socioculturais a necessidade de cultivar a própria identidade sem deixar de dialogar com outras culturas. As escolas se integram e desenvolvem-se no contexto em que estão inseridas aproximando-se da comunidade. A escola, tanto local quanto as de outras partes do mundo, possuem em comum as funções de socialização e por ser a própria vida mantêm suas particularidades e características locais, pois é formada por pessoas. As novas tecnologias contribuem para a aproximação e diálogo entre as escolas, permitindo a permanência do global no ambiente comunitário.
A escola que pensa na qualidade da formação dos seus estudantes sabe que na sociedade contemporânea é fundamental cultivar e manter sua identidade, contudo, também conhece a relevância de se manter em rede, já que o que acontece no global interfere significativamente no local.
5- A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção, entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembrar o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluídas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa, a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidianas realizem atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
Alarcão (2001), afirma que a cidadania que se espera na escola reflexiva centra-se na compreensão da realidade de se própria e principalmente no/do outro no que diz respeito às condições de desenvolvimento humano, social e ambiental.
A autora destaca como contradições num mundo globalizado que aproximou pessoas a competitividade, o individualismo e a falta de solidariedade. Ela atribui como causa dessa contradição a concepções equivocada de que a escola é um espaço de preparação para a vida, quando deveria ser vista como a própria vida. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e responsabilidade e que a partir da vida da escola desenvolve-se a educação para o comprometimento social e ambiental.
Se como afirma Alarcão, a escola não pode coloca-se na posição de meramente preparar para a cidadania, já que nela precisa-se viver a cidadania. Pergunta-se: o que é uma escola que vive a cidadania? Pelo que foi possível compreender no que Alarcão traz, uma escola que vive a cidadania é exatamente a escola que é reflexiva, ou seja, a escola que pensa no estudante que pretende formar, bem como na qualidade do ensino que pretende oferecer.
6- A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outra. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para dá conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
Para que as articulações políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas dialoguem é necessário que a negociação, a compreensão, a aceitação e o respeito existam, para que assim possa conhecer a finalidade que cada setor assume, além da sensibilidade de perceber a importância do apoio administrativo na coordenação das dimensões pedagógicas, curriculares e a dependência de ambas.
O ato de ensinar e aprender está ligado a questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas. O sucesso de um projeto depende de seu planejamento, de financiamento e acompanhamento até o momento de avaliação dos resultados. Nesse processo vários organismos estão envolvidos e por esse motivo precisam estar coordenados de forma colaborativa.
7- O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente - estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógicas da escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
O professor tem um papel fundamental na formação das pessoas, se reconhecêssemos que os médicos, os garis, os advogados, as empregadas domesticas e todo mundo já teve pelo menos um professor na vida, certamente daríamos o devido valor a este profissional. O governo faria mais investimento na formação docente e daria as condições necessárias para a realização do exercício a docência que muitas das vezes ultrapassa a mera dimensão pedagógica e assume o psicólogo, o pai, a mãe dos educandos.
Hoje eu sei quanto à sociedade exige do professor que tanta dá e pouco recebe. O seu maior prêmio é ver um dos seus educandos encontrando o caminho para aprendizagem.
Na escola, a gestão, os professores, educandos, outros funcionários e familiares são atores que tem uma função a ser desempenhada. Mas, o professor é o principal ator porque o seu papel perpassa todos os âmbitos das relações na escola e acompanham o desenvolvimento da instituição. A autora fala que num passado recente os professores foram mal compreendidos e por isso os professores deixaram de assumir as suas responsabilidades e de desenvolver a sua função social. Mas, essa situação tem se modificado porque eles estão tomando consciência da própria profissionalidade e papel social que vai além da dimensão pedagógica.
Melhorias estão ocorrendo, isto é fato. Contudo, no nosso país o professor ainda não tem o reconhecimento merecido e embora desejemos que isso se concretize o mais rápido possível, sabemos que isso é um ranço histórico da educação, e como todo ranço, leva tempo para desimpregnar. Entretanto, enquanto um profissional que escolheu ajudar no processo formativo de outro sujeito, o professor precisa sim ser comprometido com sua prática, já que está lidando com pessoas que possuem sonhos e como diz Fernando Pessoa “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma.”
8- O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alarção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige: profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa formar e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeite o outro.
,Segundo Alarcão, o profissional de educação faz reflexões sobre suas ações e sobre a escola que faz parte, procura conhecer as necessidades da instituição e como pode colaborar para a melhoria da mesma.
Ao realizar suas reflexões de como intervir na realidade encontrada na sociedade contemporânea, nas organizações escolares, o profissional de educação é movido pelo conhecimento de conhecer a si mesmo e gerar aprendizagem, além de ter consciência da sua responsabilidade social e profissional na vida dos seus educandos.
A complexidade da escola requer dos professores a capacidade de leitura e interpretação dos acontecimentos e problemas para buscar soluções por meio da cooperação, de olhares multidimensionais e investigação na ação e pela ação. Para isso os professores, assim como os gestores, devem ter consciência da necessidade de formação continuada, reconhecendo que a busca pelo conhecimento é interminável. A autora revela que a escola que valoriza o conhecimento e a aprendizagem promove o crescimento de seus profissionais e incentiva a qualificação.
Esse tópico abordado por Alarcão nos faz pensar na importância da reflexão para o desenvolvimento profissional do professor. Isso me recordou um fato ocorrido no Pibid durante as intervenções na escola. Durante esse período, Lílian, ao refletir sobre sua aula percebeu o que poderia ter feito para que os objetivos propostos para a aula pudessem ser alcançados com mais precisão. Após refletir e conversar com a profª. Ana, coordenadora do Pibid, Lílian resolveu voltar a escola e colocar em ação suas reflexões. Tenho certeza de que essa sua atitude de refletir sobre a sua aula, bem como sobre sua formação, a fez crescer profissionalmente. Isto prova a importância do professor reflexivo.
9 - Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
É o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sintam responsáveis, construtores e interventores da cultura organizacional da escola. É esse se sentir construtores e interventores que fazem as ações na escola acontecerem; perceber que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
Só é possivel ter a epistomologia da prática quando existem profissionais que fazem reflexões sobre as ações da escola e sua prática, conforme Schon. Sendo o professor co-participante das implementações desenvolvidas na escola, certamente este profissional emiti muitas opiniões que podem colaborar para identificação dos problemas e soluções dos mesmos.
A participação ativa e crítica do professor na vida da escola contribuem para o melhor conhecimento da escola e consequentemente para a reflexão e avaliação de suas práticas. O conhecimento gerado a partir da interação entre a natureza e os problemas da escola com sua particularidade desenvolverá o conhecimento do todo, global, superando a fragmentação e incompreensão. Essa interação de forma refletida sobre a missão da escola, suas atividades e resultados é apontada como epistemologia da vida, que é acompanhada da epistemologia da prática, apresentada por Schon, que é o conhecimento resultado da reflexão sobre a prática.
Participar da vida da escola – decisões e tomadas de decisões da escola, é imprescindível para que o professor reflita sobre sua prática.
10 - Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e busca mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
Para mudar a cara da escola não é necessário apenas uma determinação legal, pois esta mudança afetará todos os atores envolvidos com a escola. Como diz a autora envolve o elemento humano e deve decorrer de uma mudança política, administrativa e pedagógica.
Em outras palavras, se o cenário mundial está em constante mudança, a escola como instituição social não pode se manter parada no século passado, pois como já citado acima, envolve o elemento humano e este por natureza é dinâmico. Além disso, envolvem os aspectos políticos, sociais e econômicos que são globais e que como tal, mudam diariamente.
Dez idéias são apresentadas no texto como importantes para que a escola tenha sua “cara mudada”.
I – A centralidade das pessoas na escola e o poder da palavra – cada pessoa é valorizada em sua individualidade e no coletivo ao socializarem e xprimirem suas idéias, eu diria como um corpo onde cada membro precisa ser bem cuidado para seu bom funcionamento.
II – Liderança, Racionalidade dialógica e pensamento sistêmico – O poder precisa ser delegado, os lideres estão no topo, no intermediário e nas bases, suas idéias precisam ser ouvidas e acolhidas para que seja possível o desenvolvimento de um trabalho colaborativo em prol do todo.
III – A escola e seu projeto próprio – Penso que como cada educando é único, assim também cada escola possui sua impressão digital própria, adquirida no seu processo de existência. Por este motivo deve se direcionar por um projeto personificado para sua realidade contextual, construído com a participação das pessoas que estarão envolvidos em sua execução, de outra forma será apenas como diz a autora um mero registro no papel.
IV – A escola entre o local e o universal – Em suas especificidades e particularidades locais a escola está inserida no global e com ele se relaciona. Esta é uma relação onde a escola interage partilhando suas peculiaridades e constrói novos saberes do coletivo universal.
V – A educação para e no exercício da cidadânia – A cara da escola precisa ser mudada não apenas ensinado o que se deve fazer, mas praticando o que se ensina. Muito mais que ensinar como praticar a cidadânia com palavras o ambiente escolar deve ser um local onde se vive a prática da ética, moral, respeito, afetividade...
VI – Articulação Político-Administrativo - Curricular e Pedagógico – A nova cara da escola exige que estes setores estejam abertos ao diálogo e ao trabalho colaborativo.
VII – O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente – Partindo da idéia de que todos os envolvidos no processo educativo são atores, o texto coloca o professor como um ator de primeiro plano que desempenha um papel social, ou seja o profissional docente tem responsabilidades em termos individuais e coletivos.
VIII – O desenvolvimento profissonal na ação refletida – Pelo que entendi não existem moldes determinantes para as ações, cada situação vai exigir do professor uma reflexão, um novo olhar sobre a ação e uma nova ação e isto implica na necessidade constante de atualização profissional.
IX – Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola – A construção da escola deve acontecer por meior de participação crítica e ativa sobre a vida da escola, essa interação favorecerá a reflexão e um maior conhecimento sobre a própria escola.
X – Desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem – Assim como uma plantinha que para não morrer precisa de interações visívei e não visíveis a escola para não estagnar e morrer, precisa estar aberta e flexivel a mudanças e intervenções.
Um dos temas mais discutidos no o mundo diz respeito ao meio ambiente. A escola como um espaço dinâmica que gera aprendizagem não pode deixar de participar e entender acerca das transformações que vêm ocorrendo no mundo, logo deve está atentar aos acontecimentos e desenvolvendo projetos, meios que levem a comunidade escolar está inseridas nas discussões globais estimulando e criando contextos de aprendizagens.
O desenvolvimento institucional depende das transformações no mundo e no ambiente. De forma interativa, ela se desenvolverá e criará contextos de aprendizagem com a participação de pessoas que formarão a comunidade escolar e poderão cumprir a missão de identificar, propor, discutir e colaborar para agir em favor da transformação social e desenvolvimento ecológico.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivas, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vivem nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
A escola reflexiva é aquela que antes, durante e depois pensa suas ações, pratica um trabalho planejado colaborativo, considerando o ser humano como objeto principal, mantén-se aberta para a comunidade de onde ela retira suas leituras para construir estratégias mais eficazes de aprendizagens. Em interação com as inovações não se isola e desta forma projeta-se no contexto global.
Alarção apresenta uma escola reflexiva que se conhece a si propria e questiona a si mesmo e que é capaz de entender os seus desafios e superá-lo, essa escola muitas das vezes parece um modelo útopico, diante das realidades escolares que têm se apresentado, conseguir conceber uma escola reflexiva só é possível quando se acredita que numa prática reflexiva que acompanha o desejo de compreender a razão da existência desse instituição na vida da sociedade.
“Quando consideramos a escola como um organismo vivo inserido em um ambiente próprio”, entendemos que a escola deixou de ser um prédio com pessoas conformadas, silenciosa e se tornou um organização ativa e possuidora de elementos vivos na qual cada um tem seu potencial neste espaço.
Por isso, a escola não pode se tornar um lugar fechado, mas sim aberto a conhecer, a pensar ......
A escola reflexiva diferente de outras escolas pensa sobre a sua prática, sua missão social e organização envolvendo todos os atores escolares de forma que todos os setores dialoguem entre si, envolvendo todos na construção do seu projeto e na avaliação dos resultados.
É uma escola que observa a realidade social de sua comunidade interna e externa para desenvolver ações para a intervenção de problemas, compreendendo e dialogando antes de agir.
As escolas precisam mudar para se atualizarem e exercerem as suas funções sociais num mundo de mudanças e incertezas. A atualização das escolas implica na aprendizagem para além da reprodução e memorização e passividade, os educandos devem ser mobilizados para a participação, reflexão, diálogo e tomada de decisão.
A escola reflexiva, em desenvolvimento e aprendizagem surge pelo pensamento e pratica reflexivos da sua existência, características, função social e identidade própria. O seu projeto é construído por seus membros de forma dialogada.
A apresentação da concepção de Bronfenbrenner auxilia na reflexão sobre a influência que o conjunto de contextos interligados podem exercer. Alarcão elucida que o desenvolvimento institucional em determinado contexto sócio-político-cultural pode possibilitar a mudança como pode estagnar. A escola é um organismo vivo que semelhante as pessoas se desenvolve em interação.
O desenvolvimento escolar acontece quando a instituição desenvolve a capacidade de ler os ambientes e agir sobre eles, de forma aberta, flexível e pensar estratégica e eticamente. Muitas instituições tem se desenvolvido sem considerar a dimensão ética, humana e interpessoal, mas para que a instituição escolar vivencie a cidadania cumprindo a sua função social é necessário que essas dimensões não sejam esquecidas. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e cooperação.
A escola reflexiva é aquela que pensa na sua função, missão, nos seus atores e coautores. É a escola que reflete para agir e novamente refletir. É a escola que antes de ensinar a ser cidadã, é cidadã e ensina pelo exemplo. É a escola que forma sujeitos para serem autônomos, reflexivos e criativos.
A escola reflexiva age no presente pensando nas mudanças que proporcionará no futuro. A escola reflexiva não deseja formar sujeitos passivos e acríticos.
A escola que Alarcão propõe, talvez seja a escola dos sonhos de todo educador. Contudo, propõe inúmeras mudanças, e mudanças como nós sabemos sugerem muito trabalho e reviravoltas. Talvez seja por isso que a escola reflexiva ainda não implacou. Além disso, como já é sabido, educação de qualidade não é de interesse do nosso governo.
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que está inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.
Os novos paradigmas organizacionais colocam o homem como maior dos recursos, sua formação, desenvolvimento, trabalho em equipe, participação ativa entre outros aspectos. Os pontos abordados no texto revelam a necessidade de mudanças na escola atual, a escola é por excelência uma instituição organizacional e somente uma escola reflexiva poderá enquadrar-se nos novos paradigmas organizacionais que promoverá um trabalho estimulante e capacitará seus educandos no desenvolvimento de suas relações.
Com a globalização, o competividade do mercado, a escola é um lugar que deve trabalhar o potencial de cada pessoa, desenvolvendo suas habilidades para se tornar um ser aprendente capaz de transformar a realidade que vive por meio do diálogo, do conhecimento.
Mais uma vez a importância da os recursos humanos, no desenvolvimento orientado de uma visão prospectiva e sistemática de valores, que resulta no processo de aprendizagem e avaliação como resultado.
Os novos paradigmas organizacionais demonstram as mudanças de estratégias para se ajustar às mudanças ocorridas na sociedade ao longo dos anos com o avanço da tecnologia, globalização, a competitividade e consumismo. Em decorrência desse contexto o humano passou a ser a figura central do processo, incentivando-se o desenvolvimento de competências, atualização de conhecimentos e qualificação. A autora descreve que se passou a valorizar “a participação em decisões, o direito à palavra, a capacidade de responsabilização e avaliação” (2001, p. 29). Consequentemente, o conhecimento sobre gestão foi se estruturando e apresentando características de uma organização dentro do contexto de desenvolvimento e avanço tecnológico, com a concepção de organização aprendente. A autora, nessa perspectiva, apresenta uma nova escola com características semelhantes ao sistema organizacional de empresas, destacando a “importância dos recursos humanos, com visão prospectiva, projeto de ação e colaboração dialogante, articulação sistêmica, vivência de valores, profissionalismo, formação na ação e para a ação, ... e avaliação de processos”. (Alarcão, p. 29, 2001)
Pelas características necessárias a escola contemporânea como: qualificação, autonomia profissional, formação continuada, objetivos sociais, as organizações educativas se estruturam como sistemas de aprendizagem organizacional.
Diante no novo cenário mundial, percebe-se que urge mudar a dinâmica escolar e a concepção de escola reflexiva atende bem as novas demandas exigidas da escola. Pois valoriza aspectos não considerados na atualidade, mas que, no entanto, fazem falta.
A concepção de escola reflexiva também veio trazer um novo modelo organizacional e gerencial para as escolas: a descentralização, trabalho em equipe, organização dinâmica, profissionalismo. Além disso, esse paradigma educacional colocou as pessoas como o maior dos recursos, ou seja, a valorização humana.
1. A ESCOLA DE HOJE
Tem sido cada vez mais frequente o surgimento de comentários sobre os desestímulos que ocorrem no cotidiano escolar dos alunos, o que contribui para uma precária formação das suas competências, face às necessidades exigíveis para o convívio sociocultural. Vale ressaltar que, em meio a essa circunstância, o corpo docente também demonstra a sua parcela de desencanto devido à falta de apoio dos principais envolvidos, incluindo as autoridades competentes, embora seja reconhecido - por esses próprios, ironicamente - que a educação é o canal condutor para o desenvolvimento integral do ser humano tendo, a escola e professores, a total incumbência para a realização desse fato. Apesar dessa situação existem, felizmente, escolas comprometidas com a sua verdadeira missão a que foi destinada, ou melhor, que deve ser: a de educar, orientar e preparar o indivíduo para conviver em meio às adversidades e intempéries dessa vida, oferecendo-lhe os subsídios necessários e cabíveis.
A escola de hoje, por sua vez, deve ser pensada não de forma isolada, mas, constantemente, vinculada à sua comunidade a fim de que possa facilitar as relações entre si, haja vista que os seus interesses devem ser compatíveis dentro dos padrões da normalidade.
A escola, por ser concebida como um espaço de estrutura física, simultaneamente, requer um entendimento que envolva maiores comprometimentos, pois se trata de um local que inspira seriedade ao lidar com preparação de vidas. Por isso a mesma não fica restrita apenas ao local em si, exige trabalho também. Para que as suas atividades aconteçam e, ao se realizar trabalho é preciso que haja esforços. Portanto a razão da necessidade de todos engajarem-se com total dedicação, sacrifícios, força de vontade, alegria... Sem lutas não há vitórias. Para haver ensino e aprendizagem de qualidade é preciso que todos invistam: professores, alunos, comunidades, funcionários, entre outros. Para essa escola acontecer há uma necessidade de todos caminharem juntos, desempenhando com sabedoria as suas funções cabíveis; sendo bons administradores do espaço, do tempo e das oportunidades que surgirem no contexto escolar, enfim, dessa forma estaremos sendo autênticos mordomos do cotidiano vital, pois a escola, além de ser um tempo destinado à formação cidadã, é a própria vida, já que nela vivemos.
De acordo com Alarção a escola hoje é estática, sem viva e sem identidade própria. Essa não cria situações de aprendizagem que estimule os alunos a se esforçar para aprender, bem como não dão suporte ao professor a se motivar em sala de aula e nem a construir uma prática pedagógica coerente com a sua responsabilidade social e profissional. Assim a escola hoje é desestimulante para alunos e profissionais que lá atua.
A escola hoje segundo Alarcão (2001;10), constitui-se em um espaço, um tempo e um contexto de aprendizagem e de desenvolvimento, que frente aos avanços da tecnologia precisa modificar-se para acompanhar as rápidas transformações sociais e atender ao contexto no qual o educando está inserido. Infelizmente muitas escolas não tem espaço apropriado para o convívio, interação que permitam o desenvolvimento de aprendizagem cooperativa e autônoma. A autora ainda concebe a escola como um tempo que na atualidede precisa ser bem aproveitado para responder às indagações feitas pelos educandos, tempo de desenvolver as capacidades.
A escola se tornou um lugar estimulante, essa é uma afirmação que nos traz profunda tristeza, pois esperamos que neste ambiente se desenvolvesse competências cognitivas, atitudinais, relacionais e comunicativas, além de construímos nossa formação profissional e pessoal. Segundo Alarcão (2001), os motivos que contribuíram para que a escola perdesse sua missão estão relacionados ao cansaço e o desânimo manifestados por tantos professores que sentem se solitários, desapoiados pelos dirigentes, pelas comunidades e pelos governos, além da forma de gestão que tem sido desenvolvida na instituição de ensino com autoritarismo, e as relações que se estabelecem não visa atingir os mesmos objetivos como o de preparar cidadãos para a vida.
Alarcão (2001) apresenta uma reflexão sobre a escola na atualidade abordando o sentimento de professoras e educandos quanto à estrutura escolar. O cansaço provocado pela rotina escolar da forma em que se configurou desestimula a aprendizagem do educando e desvaloriza o trabalho dos professores que se sentem solitários, sem apoio da direção, de outros colegas e do poder público. A escola se configurou ao longo dos anos como um espaço com salas de aula para a memorização de disciplinas sem relevância e/ou significado para o educando. Mas, de forma contraditória, todos reconhecem que a escola tem a função social de agente para o desenvolvimento humano.
Apesar da constatação de escolas com o perfil descontextualizado das vivências e objetivos dos educadores, educandos, familiares e funcionários existem escolas com projetos próprios que estimulam a aprendizagem de diversas formas: da interação, da flexibilização de atividades e aproximação com a comunidade.
Alarcão elucida que o contexto escolar precisa ser de trabalho para o desenvolvimento da aprendizagem e de conscientização da função em que cada participante deve desempenhar com autonomia e colaboração, observando que o tempo que se passa não volta. Por isso a escola é a própria vida, ela é um local onde pessoas se desenvolvem e desenvolvem projetos para a cidadania.
E como um espaço gerador de vida, a escola precisa acompanhar os avanços e mudanças que estão ocorrendo, e quando falamos e avanços e mudanças, não estamos nos referindo apenas aos avanços tecnológicos e mudanças climáticas. Antes, estamos falando dos avanços e mudanças sociais que as escolas ainda teimam de deixar fora das grandes.
A escola hoje mais do que nunca precisa ser um espaço acolhedor e atrativo. Em outras palavras, os estudantes precisam se sentir acolhidos e bem vindos, afinal, existe um mundo lá fora cheio de armadilhas e livrá-los destas, também é dever da escola hoje, já que esta é tida como um dos principais espaços educativos. Além do mais, como bem afirmou Paulo Freire: "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."
2. COMO SE ORGANIZA A ESCOLA PARA CUMPRIR ESSAS FUNÇÕES?
Já que a escola aparece no cenário da sociedade como um lócus destinado ao tempo formativo rumo à cidadania, é necessário estabelecermos um paralelo entre a que existe e aquela que corresponda com a nossa realidade. Diante do que é observado vê-se o quanto a escola atual está aquém daquilo que a sociedade precisa e deseja e, considerando a insuficiência no acompanhamento das transformações ocorridas no decorrer do tempo, ela tem se tornado motivo de desestímulos e descaso, cada dia que passa. Devido às fortes tendências do conservadorismo, ranço da cultura ocidental, mantém-se resistente em supervalorizar, ainda, o raciocínio lógico-matemático prejudicando, portanto, em virtude desse fato, a evolução potencial do indivíduo em sua totalidade.
Sendo assim, para que a escola cumpra as reais funções ao preparar vidas e, verdadeiramente, torne-se um local destinado à vivência da cidadania é mister que os seus métodos e processos de aprendizagem bem como os conteúdos passem por uma seriíssima transformação, contudo, sem perder de vista o currículo e pedagogia política de administração. Acrescenta-se a essa mudança a alteração organizacional incluindo novos meios de pensá-la e geri-la.
Enfim, mais que uma geral modificação nos aspectos administrativo e organizacional, a escola precisa ser analisada quanto aos valores e relações humanas nela presentes com base no seu contexto. A transformação dessa escola de hoje vai além da necessidade de pensar, refletir. É preciso agir!
A escola não tem conseguindo se organizar para cumprir suas funções, pois esta marcada por traços do passado, ou seja, da forma que foi pensada (isso para cada contexto onde esta inserida) é não consegui acompanhar as transformações que a sociedade contemporânea exige.
Alarção fazendo uma referência a Drucker (1993) escreve que a escola somente conseguira cumprir suas funções sociais, educacionais, políticas etc. quando mudar a sua organização e o modo como ela (escola) é pensada é gerida.
Quando estudamos o texto sobre planejamento percebemos que o ato de planejar é inerente a prática pedagógica é que esse (planejamento) vem do “chão da escola” e conseqüentemente iremos sonhar, planejar é refletir uma aula e isso não é diferente com a escola no todo. A organização da escola precisa ser sonhada, planejada e refletida para que ocorram ações efetiva dentro dela.
O texto aponta que a mudança da escola se dá a partir de uma mudança organizacional e administrativa. No decorrer de nosso curso, nas rodas de conversa seja em sala de aula ou mesmo em nossos momentos de troca de experiências extra sala, o que tenho ouvido sobre escolas que estão alcançando os objetivos de aprendizagem, sempre se refere a escolas onde a mudança começa na gestão, onde se é compartilhadas as idéias, descentralizando o poder e abrindo-se para sugestões inovadoras. Isto vêm a confirmar o pensamento de Alarcão quando diz que para que aconteçam mudanças é preciso mudar a maneira como a escola é gerida.
É preciso mudar a organização escolar e o modo como ela é gerida, a partir disso re-significar a organização disciplinar, pedagógica, pensando sobre o contexto que a sociedade se encontra, a qual tem vivido profundas mudanças.
Diante disso, a escola terá que sofrer uma mudança radical, sair da zona do desânimo e cansaço, dos planos das idéias que só ficam no papel e se tornar exeqüível nas suas ações organizacionais administrativas, pedagógicas e também nos valores e nas relações humanas que nela se vivem.
Para cumprir a sua função social a escola precisa acompanhar as mudanças na sociedade e preparar o educando para a complexidade do mundo atual. A escola precisa mudar o seu currículo, métodos e conteúdos para um desenvolvimento global do educando, associando currículo e pedagogia a políticas e administração, passando do plano das idéias para a ação. E mais ainda do que mudar estes itens citados, a escola precisa se organizar quanto às relações pessoais internas e externas, já que um dos grandes problemas da sociedade atual consiste exatamente na falta de diálogo entre os pares. Pois não há como pensar em estratégias de melhoria se não se conhecer as verdadeiras causas dos problemas e dificuldades.
Em outras palavras, para se organizar para cumprir suas funções a escola precisa traçar objetivos, metas; conhecer seu público e suas necessidades, conhecer as dificuldades dos seus funcionários, conhecer as demandas sociais e ser pertencente a comunidade na qual está inserida.
3. MUDAR A “CARA” DA ESCOLA
A escola não muda de “cara” de uma hora para outra; só é possível ser mudada a partir do envolvimento das decisões de cunho político-administrativo-pedagógico, juntamente com os demais elementos que se encontram, direta ou indiretamente, inseridos nesse contexto. Vale ressaltar que o elemento humano, enquanto pessoa, quando envolvido diretamente, exerce fundamental condição de mudança cultural vivenciada na própria escola.
A escola, para tornar-se inovadora precisa ser capaz de pensar-se a começar por ela própria. O fato de estarmos vivendo em uma época favorável à descentralização, à autonomização e responsabilização, tem contribuído para que determinadas escolas consigam realizar-se, nesse sentido, com êxito. Na tentativa de melhor compreensão sobre o que vem a ser uma escola de cara mudada e, de forma simultânea, proporcionar a facilitação do entendimento conceitual referente à escola reflexiva, apresentam-se a seguir, dez idéias intuindo traduzir o pensamento do autor a respeito dessa questão.
Alarção nos faz entender que a cara da escola só muda quando todas as pessoas que pensa na vida da escola estão envolvidas nas decisões políticas, administrativas e pedagógicas da escola.
A cara da escola é a cara da comunidade onde ela esta inserida, sendo assim a comunidade interna e externa da escola, precisa aprender a lutar e reivindicar criticamente seus direitos por uma escola de qualidade, universal no acesso e eficaz em tudo que faz. Criando assim uma cultura escolar.
A mudança da “cara da escola” só acontecerá quando a comunidade escolar juntamente com a sociedade se envolverem nas questões decisões político- administrativo-pedagógicas, mudando a cultura da escola para isso é necessário envolver as pessoas.
Isabel Alarcão explica, a partir de uma afirmação do educador Paulo Freire, que para a mudança necessária à escola não basta a vontade, o desejo de realizar, mas o envolvimento de toda a comunidade escolar: estudantes, professores, familiares, direção e funcionários nas decisões político-pedagógicas e administrativas.
A autora relata que o período atual em que as escolas estão sendo descentralizadas e com maior responsabilização, assumindo a própria gestão, algumas estão conseguindo realizar mudanças para pensar a si própria e tornarem-se reflexivas. Alarcão apresenta reflexões sobre essa temática e o conceito de escola reflexiva nos sub-tópicos seguintes.
1- A Centralidade das Pessoas na Escola e o Poder da Palavra
A escola só tem sentido de existência quando se conta com a presença das pessoas, pois são essas que, com suas vidas, independente de permanecerem ou não - constantemente na instituição - dão vida à mesma. Os espaços e tempo são recursos em benefício destinado ao principal deles: as próprias pessoas. A socialização fica por conta do contexto, criado e recriado por elas mesmas. O poder da palavra a elas pertencem e por meio dele tiram todo o proveito necessário e possível, já que é um grande privilégio. A condição de vivência para um clima escolar em prol de uma educação de boa qualidade é um fator que depende do tipo de relação entre as pessoas em conjunto e entre si próprias, articulada ao ambiente e às ações desempenhadas.
A escola sem pessoas seria um edifício sem vida. As pessoas são os bens mais preciosos que a escola possui, pois sem as pessoas não teria significado a sua existência. As pessoas que vivem na escola e vivem a vida da escola, precisam perceber a sua importância nela, a força que elas têm para modificar a situação da mesma, pois a escola são os alunos, os professores, os gestores, os funcionários e a comunidade e não a estrutura.
As pessoas precisam saber que a escola é espaço de convivências, de respeito, de confortos, de reflexões, de autorias, de ações, de iniciativas. E é os sujeitos que lá vivem precisam aprender que eles tem a escolha de fazer do âmbito escolar um local de prazer ou de tédio.
Para que é uma organização escolar exista é necessário que tenha pessoas, pois ainda que tivesse todos os recursos necessários para funcionamento da instituição seriam desperdiçados.
As pessoas dão sentido à vida da escola, elas têm a capacidade de tomar decisões, realizar estudo, fazer a limpeza do local, atuar na área administrativa, política e pedagógica, além de expressarem seus sentimentos e pensamentos. Certamente o que construir a identidade da escola são as relações das pessoas entre si e de si próprias com o seu trabalho em busca de uma educação que busca o melhor a cada dia, em que o maior objetivo centra-se na aprendizagem do educando.
A escola existe por conta das pessoas que participam dela. Apenas o espaço físico e pessoas sem relação entre si não garantem a sua qualidade e estabilidade para melhoria da educação. A ação de organizarem-se, de discutirem pontos de vista e de socializarem-se repercute em reflexão, debate de possibilidades e de escolhas para soluções discutidas em coletividade.
Diante disto, se são as pessoas que dão vida e movimento ao prédio escolar, por qual motivo que insistem tanto em não deixarem as pessoas participarem das decisões escolares? Será que existe algum interesse por trás disso? Esse é dos aspectos que urge ser pensado se quisermos de fato mudar a cara da escola.
2- Liderança, Racionalidade Lógica e Pensamento Sistêmico
É possível contar com a presença de líderes distribuídos nas diferentes camadas estruturais de escolas inovadoras. Com vistas na concretização de uma escola de caráter participativo e democrático, não importando a localização de onde procedem, são sempre bem vindas as iniciativas quando essas funcionam como novas formas de pensamento, canais de descentralização do poder, uma vez que, na medida em que todos forem envolvidos conjuntamente em uma causa, esse fato tomará a forma de riqueza. Mediante a multiplicidade de comunicação surge espaço para o enfrentamento de situações através de decisões, resultantes de traçados sob a forma estratégica e politicamente definidas em que passam a ser enquadradas por uma visão globalizadora. Além dessa visão as decisões são enquadradas por um pensamento sistêmico, responsável e capacitado para a organização conceitual. Sendo, portanto, o pensamento, um dos cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica assim como situada, de responsabilidade e humana. Somando-se os outros quatro pilares ao pensamento temos: Liderança, Visão, Diálogo e Ação.
A gestor é a “cabeça” da instituição, nesse contexto Alarção fala da importância da liderança na escola, que essa liderança consiga perceber que sua atuação é que contribui na estrutura intermédias e na base para as mudanças na escola.
O líder precisa ser coerente, sábio, visionário, que tem a capacidade e habilidade de motivar os sujeitos da escola a fazer parte da vida da escola, construindo assim uma gestão dialógica, democrática e participativa, na qual todos participam efetivamente da tomada de decisões e se sentem responsáveis por suas ações dentro da escola.
Conseguimos identificar quando uma pessoa assume uma posição de liderança, esse perfil independente do nível que se situam na escola. O interessante é quando essa liderança é participativa e valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. Percebemos uma escola participativa e democrática, apostando na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola por meio do diálogo, do consenso. Como afirma Alarcão “Liderança, visão, diálogo, pensamento e ação são os cinco pilares de sustentação de uma organização dinâmica, situada, responsável e humana” (2003, p.20)
Em todos os setores do ambiente escolar inovador é possível encontrar líderes, no setor financeiro, secretaria, limpeza e não apenas na gestão. Numa escola participativa e democrática as decisões são tomadas em conjunto, todos interagem não importando de onde a idéia tenha partido. A interação entre a comunidade escolar e a responsabilidade individual com o trabalho são a causa do sucesso na educação. Em uma escola em que todos trabalham com a finalidade de atingir as mesmas metas e objetivos não tem como a educação de qualidade não acontecer.
3- A Escola e Seu Projeto Próprio
Compete a cada escola assumir a responsabilidade e o comprometimento dela mesma, em conjunto, elaborar o seu próprio projeto educativo pautado, conscientemente, na realidade pela qual a mesma perpassa considerando as suas comunidades, interna e externa. Para tanto, esse projeto deve ter como eixo orientador as necessidades e pretensões referentes ao seu contexto. Em função de que o projeto não fique apenas restrito às anotações feitas, alguns critérios devem ser obedecidos tais como: definição dos níveis de execução, atribuição de responsabilidade aos autores envolvidos, uma monitorização precisa sem esquecer, é claro, da avaliação desses resultados apurados para, em seguida entrar em ação. Embora as escolas tenham a liberdade na elaboração dos seus projetos institucionais, a dimensão educativa, definida conforme a sua área geográfica bem como seu país e mundo, não deve ser distanciada, tampouco desaparecida.
Cada escola possui sua singularidade e particularidade, por esse motivo cada escola apesar de ser universal ela é local, pois os sujeitos são diferentes e tem necessidades diferentes. Desta forma, cada escola deve ter o seu projeto, projeto esse que tenha a cara da comunidade na qual ela esta inserida, que pense nos objetivos, metas que deseja alcançar a fim de superar as dificuldades que ela enfrenta.
A escola que conhece a si própria, assume suas idéias e quais cidadãos pretendem formar desenvolver o seu próprio projeto educativo, por meio dele é possível identificar os objetivos e as estratégias que se pretende atingir.
A autora trata da importância da construção do próprio projeto educativo pelas escolas observando as suas necessidades e expectativas. Para que o projeto seja aplicado e atinja os objetivos pretendidos são organizadas as funções de cada ator escolar, todos se responsabilizam pela execução. Delineia-se o processo e realiza-se a avaliação dos resultados alcançados, a partir desses resultados desenvolvem-se novas ações. Isso com certeza contribui muito para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.
A escola puder elaborar seu próprio projeto político foi sem dúvida um grande passo rumo a mudança que tanto precisamos.
4- A escola Entre o Local e o Universal
Vivemos diante de uma globalização em que tem sido comum a manifestação consciente da especificidade e da particularidade entre os diversos setores socioeconômicos como se fosse uma forma de, nós mesmos, nos resguardarmos da padronização de tudo o que nos é peculiar e especial. A escola, no dia a dia, tende a adotar a sua postura ao assumir-se integrada na esfera local que lhe é própria sem, contudo, eximir-se da universalização expressa por meio do seu caráter instrutivo-educativo e socializante partilhado entre as demais escolas distribuídas no planeta. Dessa maneira a escola apresenta-se vinculada globalmente na medida em que se socializa - de forma própria - com as outras escolas. Portanto, o fato da escola ser local não a impede de tornar-se universal, pois, o mundo tecnológico expande desenfreadamente, a sua capacidade e dimensão, oportunizando o cultivo do universal no local.
A escola é universal é local ao mesmo tempo de desta forma ela precisa saber interagir desses dos locos, buscando interação com a comunidade local para que possa construir e firmar no universal a sua identidade e assim construir diálogo, socializar conhecimento com as escola no contexto globalizada pra que possam trocar experiências e valorizar o respeito a diversidade dentro da unidade escolar.
As novas tecnologias de informação e comunicação são aliadas da escola na propagação da universalização do conhecimento.
A escola é local e o mesmo tempo ela precisa ser universal, pois o mundo globalizado em que vivemos, entra em vários setores socioculturais a consciência da especificidade e da particularidade.
A partir do momento que nos permitimos em sair do nosso local e conhecermos a riqueza que os outros oferecem, temos a oportunidade de contribuir com a aprendizagem de alguém e também aprender diferentes formas de educar e de viver. A sociedade da informação e comunicação tem nos possibilitado vivenciar vias dialógicas e de conhecimento.
Com a globalização surge em todos os setores socioculturais a necessidade de cultivar a própria identidade sem deixar de dialogar com outras culturas. As escolas se integram e desenvolvem-se no contexto em que estão inseridas aproximando-se da comunidade. A escola, tanto local quanto as de outras partes do mundo, possuem em comum as funções de socialização e por ser a própria vida mantêm suas particularidades e características locais, pois é formada por pessoas. As novas tecnologias contribuem para a aproximação e diálogo entre as escolas, permitindo a permanência do global no ambiente comunitário.
A escola que pensa na qualidade da formação dos seus estudantes sabe que na sociedade contemporânea é fundamental cultivar e manter sua identidade, contudo, também conhece a relevância de se manter em rede, já que o que acontece no global interfere significativamente no local.
5- A Educação para o Exercício da Cidadania
Percebe-se que as pessoas convivem - constantemente - imersas num mundo paradoxal onde a competitividade, o individualismo e a falta de fraternidade insistem em confrontar com uma era cada vez mais globalizada, em função de promover a aproximação dos humanos. Considera-se fato a alienação pela qual a humanidade perpassa e, por conta disso, atribui-se a razão do intenso reconhecimento em repensar a valorização que deva ser atribuída à educação em prol da cidadania. Já não é novidade sabermos que a educação não visa apenas preparar o indivíduo para a cidadania, a primeira é, inclusive, destinada à vivência da última, através de nobres virtudes e prática de ações - fundamental - para a trans/formação de um ser antes, considerado apenas uma mera pessoa para, depois, tornar-se num verdadeiro cidadão. A vida da escola é quem vai determinar a realização do exercício da cidadania.
Segundo Alarção, entre as contradições da sociedade atual dá-se conta da competitividade e da falta de solidariedade em um mundo que tanto se globalizou e aproximou as pessoas. Vive- se em alienação. Essa leitura de Alarção me faz lembrar o sociólogo Bauman quando o mesmo fala das relações “fluídas”, ou seja, nas relações na qual as pessoas estão com a outra por conveniência e não por amor.
Esse é mais uma um desafio para a escola ensinar aos professores, alunos, gestores, funcionários e comunidade externa, a dimensão humana da educação que é compreender que a cidadania na realidade é partilha, e olhar o outro com a si mesmo, e respeitar. Espero que nesse mudo individualista encontremos sujeitos que nas suas ações cotidianas realizem atitudes como essa citada acima, pois nós só podemos ensinar o que somos.
Alarcão (2001), afirma que a cidadania que se espera na escola reflexiva centra-se na compreensão da realidade de se própria e principalmente no/do outro no que diz respeito às condições de desenvolvimento humano, social e ambiental.
A autora destaca como contradições num mundo globalizado que aproximou pessoas a competitividade, o individualismo e a falta de solidariedade. Ela atribui como causa dessa contradição a concepções equivocada de que a escola é um espaço de preparação para a vida, quando deveria ser vista como a própria vida. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e responsabilidade e que a partir da vida da escola desenvolve-se a educação para o comprometimento social e ambiental.
Se como afirma Alarcão, a escola não pode coloca-se na posição de meramente preparar para a cidadania, já que nela precisa-se viver a cidadania. Pergunta-se: o que é uma escola que vive a cidadania? Pelo que foi possível compreender no que Alarcão traz, uma escola que vive a cidadania é exatamente a escola que é reflexiva, ou seja, a escola que pensa no estudante que pretende formar, bem como na qualidade do ensino que pretende oferecer.
6- A Articulação Político-Administrativo-Curricular-Pedagógica
Sendo a escola um local onde a organização acontece, organização essa que é pautada na especificidade e particularidade de cada escola, é nela onde se dá a troca de ações e reações entre as pessoas que têm interesses afins. Existem na educação formal vetores, ou seja, elementos que se encontram com os mesmos sentidos, um associado ao outro, portanto, todos articulados numa mesma ambiência com objetivos colaborativos e facilitadores, sendo eles: os políticos, os administrativos, os curriculares e os pedagógicos. Embora existindo a necessidade desses vetores não atuarem de forma estanque e obstaculizante, há limitações sobre as decisões políticas e administrativas a serem tomadas que não devem ser tratadas com indiferença. Nesse sentido, diante de circunstâncias que dependam de negociação, entendimento e acordo faz-se necessário dispensar uma atenção especial no tocante ao tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas, considerando o diálogo mantido por elas próprias, o efeito positivo que a palavra exerce e o respeito pelo ponto de vista de cada um.
Na escola existe a necessidade de ser articular de forma colaborativa as questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas, pois uma depende da outra. Essa questão posta por Alarção me faz lembrar o estágio supervisionado na escola, na qual observava que a gestora tinha varias situações para dá conta, e a mesma relatou que não consegui fazer nada com perfeição.
Na realidade no cotidiano da escola é o que vemos. Não tem como somente uma pessoa da conta de tantas atribuições sem delegar responsabilidades ou ter profissionais qualificados para assumir as atividades a ele imputadas.
Para que as articulações políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas dialoguem é necessário que a negociação, a compreensão, a aceitação e o respeito existam, para que assim possa conhecer a finalidade que cada setor assume, além da sensibilidade de perceber a importância do apoio administrativo na coordenação das dimensões pedagógicas, curriculares e a dependência de ambas.
O ato de ensinar e aprender está ligado a questões políticas, administrativas, curriculares e pedagógicas. O sucesso de um projeto depende de seu planejamento, de financiamento e acompanhamento até o momento de avaliação dos resultados. Nesse processo vários organismos estão envolvidos e por esse motivo precisam estar coordenados de forma colaborativa.
7- O Protagonismo do Professor e o Desenvolvimento da Profissionalidade Docente
As pessoas, uma vez pensadas sob a qualidade de protagonistas no recinto escolar, estão no dever de qualificarem as ações nele praticadas, atribuindo-lhes o reconhecimento valorativo na mesma proporção com que foram entendidas. Estas pessoas, na íntegra, destacam-se de maneira especial pelo fato de exercerem, cada uma, um papel específico destinado ao desenvolvimento e manutenção da escola. Todavia, ao entender os alunos sob a qualidade de passageiros da mesma e os professores - aqueles que permanecem, passam então a acompanhar o desenvolvimento da instituição e assumir as suas responsabilidades, adquirindo, assim, o direito de ocupação no primeiro plano. Pelo fato de, não há muito tempo os professores terem sido maltratados em alguns aspectos, os mesmos chegam a eximir-se dos compromissos assumidos perante a escola e à sociedade. Daí, em virtude dessa ocorrência, percebe-se que a realidade vem mudando, diante do empenho da sociedade ao investir no desenvolvimento de condições que favoreçam o fazer profissional da docência. Paralelamente a essa atitude os professores têm-se manifestado também ao conscientizar-se do profissionalismo assumido além das responsabilidades individuais e coletivamente falando. Vale ainda ressaltar que a dimensão da profissionalidade vai além da pedagógica. É outorgado ao professor, tido como ator social, uma função de cunho político educativa a ser desempenhada enquanto que, no seio da escola a sua atividade acontece mediante ao encontro das interações de caráter político-administrativo-curricular pedagógico.
O professor como autor da sua profissão docente - estamos aprendendo isso em nossa formação, ser responsável com a nossa prática e profissão docente. Isso é importante, pois a escola como organismo vivo necessita de profissionais comprometidos com a sua responsabilidade social e profissional para que esse possa contribuir efetivamente com as questões política, administrativa, curriculares e pedagógicas da escola. Vale ressaltar que é preciso ensinar a sociedade que o professor é o maior bem da escola, esses são formadores de opiniões na escola e na vida.
O professor tem um papel fundamental na formação das pessoas, se reconhecêssemos que os médicos, os garis, os advogados, as empregadas domesticas e todo mundo já teve pelo menos um professor na vida, certamente daríamos o devido valor a este profissional. O governo faria mais investimento na formação docente e daria as condições necessárias para a realização do exercício a docência que muitas das vezes ultrapassa a mera dimensão pedagógica e assume o psicólogo, o pai, a mãe dos educandos.
Hoje eu sei quanto à sociedade exige do professor que tanta dá e pouco recebe. O seu maior prêmio é ver um dos seus educandos encontrando o caminho para aprendizagem.
Na escola, a gestão, os professores, educandos, outros funcionários e familiares são atores que tem uma função a ser desempenhada. Mas, o professor é o principal ator porque o seu papel perpassa todos os âmbitos das relações na escola e acompanham o desenvolvimento da instituição. A autora fala que num passado recente os professores foram mal compreendidos e por isso os professores deixaram de assumir as suas responsabilidades e de desenvolver a sua função social. Mas, essa situação tem se modificado porque eles estão tomando consciência da própria profissionalidade e papel social que vai além da dimensão pedagógica.
Melhorias estão ocorrendo, isto é fato. Contudo, no nosso país o professor ainda não tem o reconhecimento merecido e embora desejemos que isso se concretize o mais rápido possível, sabemos que isso é um ranço histórico da educação, e como todo ranço, leva tempo para desimpregnar. Entretanto, enquanto um profissional que escolheu ajudar no processo formativo de outro sujeito, o professor precisa sim ser comprometido com sua prática, já que está lidando com pessoas que possuem sonhos e como diz Fernando Pessoa “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma.”
8- O Desenvolvimento Profissional na Ação Reflexiva
O professor, por ser um profissional praticante das ações de abrangência humana, apresenta na sua ação uma racionalidade dialógica, interativa e reflexiva conforme o reforço oriundo dos autores Pimenta; Garrido; Moura, (2000, p. 92), citado por Alarcão, (2001, p. 24), ao afirmarem que “(...) na última década, a literatura sobre o professor reflexivo tem-se deslocado de uma perspectiva excessivamente centrada nos aspectos metodológicos e curriculares para uma perspectiva que leva em consideração os contextos escolares”. Guiando-nos por esse mesmo viés temos que as organizações escolares geram práticas sociais, bem como valores, crenças e conhecimentos, impulsionadas pelo desejo de encontrar a “válvula de escape” em função de resolver as situações problema vivenciadas no contexto em que se insere. Vale ressaltar que existe dificuldade em relação ao encontro de uma prévia receita ou fórmula específica destinada a solucionar os mais inusitados problemas com toda a sua complexidade vivenciados na escola. Por outro lado, diante dos fatos cotidianos, há uma necessidade de se realizar uma leitura antecipada e reflexiva dos acontecimentos - seguida da sua interpretação - a fim de facilitar, qualificando a rotina na ambiência escolar. Para tanto, devido ao nível de complexidade, é exigível que haja um investimento capaz de proporcionar soluções ao atingir o âmago da questão. Soma-se a essa causa, a solicitação destinada ao professor no tocante à tomada de consciência sobre o constante aprimoramento que deve ser dedicado ao seu processo formativo tendo em vista que a formação precisa de continuidade. Entretanto, a título de reconforto, o professor entende que a sua profissão funciona com referência do saber, desde que a escola na qual atua submeta-se à aprendência desse saber.
Alarção descreve o profissional que a escola reflexiva necessita, e que o mundo contemporâneo exige: profissional da educação que se perceba sempre como ser em aprendizagem, inacabado, responsável com a sua ação social e profissional, que pense na sua história de vida e da dos seus alunos, buscando a transformação para ambas. Um profissional que saiba dialogar e respeitar a opinião do outros, que pesquise a sua prática na prática do cotidiano da sala de aula, para que possa formar e se formar sujeitos reflexivos, críticos e autônomos e que respeite o outro.
,Segundo Alarcão, o profissional de educação faz reflexões sobre suas ações e sobre a escola que faz parte, procura conhecer as necessidades da instituição e como pode colaborar para a melhoria da mesma.
Ao realizar suas reflexões de como intervir na realidade encontrada na sociedade contemporânea, nas organizações escolares, o profissional de educação é movido pelo conhecimento de conhecer a si mesmo e gerar aprendizagem, além de ter consciência da sua responsabilidade social e profissional na vida dos seus educandos.
A complexidade da escola requer dos professores a capacidade de leitura e interpretação dos acontecimentos e problemas para buscar soluções por meio da cooperação, de olhares multidimensionais e investigação na ação e pela ação. Para isso os professores, assim como os gestores, devem ter consciência da necessidade de formação continuada, reconhecendo que a busca pelo conhecimento é interminável. A autora revela que a escola que valoriza o conhecimento e a aprendizagem promove o crescimento de seus profissionais e incentiva a qualificação.
Esse tópico abordado por Alarcão nos faz pensar na importância da reflexão para o desenvolvimento profissional do professor. Isso me recordou um fato ocorrido no Pibid durante as intervenções na escola. Durante esse período, Lílian, ao refletir sobre sua aula percebeu o que poderia ter feito para que os objetivos propostos para a aula pudessem ser alcançados com mais precisão. Após refletir e conversar com a profª. Ana, coordenadora do Pibid, Lílian resolveu voltar a escola e colocar em ação suas reflexões. Tenho certeza de que essa sua atitude de refletir sobre a sua aula, bem como sobre sua formação, a fez crescer profissionalmente. Isto prova a importância do professor reflexivo.
9 - Da Escola em Desenvolvimento e Aprendizagem à Epistemologia da Vida da Escola
A epistemologia da prática é considerada como um produto oriundo do conhecimento adquirido pelos profissionais, gerado do processo reflexivo das práticas cotidianas. Ao se levar em conta a atuação dos professores na escola, na qualidade de co-construtores da mesma, tudo leva a crer, que através de uma intervenção participativa, sendo ela ativa e crítica na vida dessa instituição fará com que o conhecimento referente à própria escola seja desenvolvido constantemente. Quando um conhecimento é construído mediante a interação com a natureza e os problemas da escola, de acordo com a especificidade individual, haverá a possibilidade de ser transferido assumindo um caráter com base na tendência global. Dessa forma, ao tomar como ponto de partida a co-construção de maneira reflexiva relacionada à sua missão, às atividades existentes e, inclusive às conseqüências que delas procedem, é que a epistemologia da vida da escola será desenvolvida.
É o refletir sobre a prática na prática que faz como que os profissionais da educação na escola que atuam se sintam responsáveis, construtores e interventores da cultura organizacional da escola. É esse se sentir construtores e interventores que fazem as ações na escola acontecerem; perceber que na dinâmica da escola o responsável pelo fracasso ou sucesso da escola é do professor, do aluno, da família, do gestor, do funcionário, dos políticos e comunidade externa.
Só é possivel ter a epistomologia da prática quando existem profissionais que fazem reflexões sobre as ações da escola e sua prática, conforme Schon. Sendo o professor co-participante das implementações desenvolvidas na escola, certamente este profissional emiti muitas opiniões que podem colaborar para identificação dos problemas e soluções dos mesmos.
A participação ativa e crítica do professor na vida da escola contribuem para o melhor conhecimento da escola e consequentemente para a reflexão e avaliação de suas práticas. O conhecimento gerado a partir da interação entre a natureza e os problemas da escola com sua particularidade desenvolverá o conhecimento do todo, global, superando a fragmentação e incompreensão. Essa interação de forma refletida sobre a missão da escola, suas atividades e resultados é apontada como epistemologia da vida, que é acompanhada da epistemologia da prática, apresentada por Schon, que é o conhecimento resultado da reflexão sobre a prática.
Participar da vida da escola – decisões e tomadas de decisões da escola, é imprescindível para que o professor reflita sobre sua prática.
10 - Desenvolvimento Ecológico de uma Escola em Aprendizagem
Diante dos fatos tem-se que, para a escola - enquanto instituição - não correr o risco de vir a parar no tempo, precisa sem sombra de dúvida, partir em busca da interação com as mudanças acontecidas no mundo assim como no meio onde se encontra inserida. Precisa assumir uma postura adaptável a essa era contemporânea, referenciada por uma dinâmica inovadora dada a sua abertura, interação e flexibilidade. Ao aderir a esta performance estará propensa a deparar-se com oportunidades favoráveis ao seu desenvolvimento. Assim, as instituições, como as pessoas, são pensadas da mesma forma que sistemas abertos. Permanecem constantemente interadas com o ambiente ao seu redor, sendo esse responsável pelo estímulo ou condicionamento e também, pela construção de contexto sugestivo para aprendizagem. No momento em que se submetem, ativamente, à interação viabilizam a transformação social, o que é considerado um cumprimento da sua missão.
Uma escola em aprendizagem deseja e busca mudanças, não paralisa em meios aos obstáculos que encontra, a escola é vida, é a vida dos professores, dos alunos, dos funcionários, dos gestores e da comunidade externa.
Para mudar a cara da escola não é necessário apenas uma determinação legal, pois esta mudança afetará todos os atores envolvidos com a escola. Como diz a autora envolve o elemento humano e deve decorrer de uma mudança política, administrativa e pedagógica.
Em outras palavras, se o cenário mundial está em constante mudança, a escola como instituição social não pode se manter parada no século passado, pois como já citado acima, envolve o elemento humano e este por natureza é dinâmico. Além disso, envolvem os aspectos políticos, sociais e econômicos que são globais e que como tal, mudam diariamente.
Dez idéias são apresentadas no texto como importantes para que a escola tenha sua “cara mudada”.
I – A centralidade das pessoas na escola e o poder da palavra – cada pessoa é valorizada em sua individualidade e no coletivo ao socializarem e xprimirem suas idéias, eu diria como um corpo onde cada membro precisa ser bem cuidado para seu bom funcionamento.
II – Liderança, Racionalidade dialógica e pensamento sistêmico – O poder precisa ser delegado, os lideres estão no topo, no intermediário e nas bases, suas idéias precisam ser ouvidas e acolhidas para que seja possível o desenvolvimento de um trabalho colaborativo em prol do todo.
III – A escola e seu projeto próprio – Penso que como cada educando é único, assim também cada escola possui sua impressão digital própria, adquirida no seu processo de existência. Por este motivo deve se direcionar por um projeto personificado para sua realidade contextual, construído com a participação das pessoas que estarão envolvidos em sua execução, de outra forma será apenas como diz a autora um mero registro no papel.
IV – A escola entre o local e o universal – Em suas especificidades e particularidades locais a escola está inserida no global e com ele se relaciona. Esta é uma relação onde a escola interage partilhando suas peculiaridades e constrói novos saberes do coletivo universal.
V – A educação para e no exercício da cidadânia – A cara da escola precisa ser mudada não apenas ensinado o que se deve fazer, mas praticando o que se ensina. Muito mais que ensinar como praticar a cidadânia com palavras o ambiente escolar deve ser um local onde se vive a prática da ética, moral, respeito, afetividade...
VI – Articulação Político-Administrativo - Curricular e Pedagógico – A nova cara da escola exige que estes setores estejam abertos ao diálogo e ao trabalho colaborativo.
VII – O protagonismo do professor e o desenvolvimento da profissionalidade docente – Partindo da idéia de que todos os envolvidos no processo educativo são atores, o texto coloca o professor como um ator de primeiro plano que desempenha um papel social, ou seja o profissional docente tem responsabilidades em termos individuais e coletivos.
VIII – O desenvolvimento profissonal na ação refletida – Pelo que entendi não existem moldes determinantes para as ações, cada situação vai exigir do professor uma reflexão, um novo olhar sobre a ação e uma nova ação e isto implica na necessidade constante de atualização profissional.
IX – Da escola em desenvolvimento e aprendizagem à epistemologia da vida da escola – A construção da escola deve acontecer por meior de participação crítica e ativa sobre a vida da escola, essa interação favorecerá a reflexão e um maior conhecimento sobre a própria escola.
X – Desenvolvimento ecológico de uma escola em aprendizagem – Assim como uma plantinha que para não morrer precisa de interações visívei e não visíveis a escola para não estagnar e morrer, precisa estar aberta e flexivel a mudanças e intervenções.
Um dos temas mais discutidos no o mundo diz respeito ao meio ambiente. A escola como um espaço dinâmica que gera aprendizagem não pode deixar de participar e entender acerca das transformações que vêm ocorrendo no mundo, logo deve está atentar aos acontecimentos e desenvolvendo projetos, meios que levem a comunidade escolar está inseridas nas discussões globais estimulando e criando contextos de aprendizagens.
O desenvolvimento institucional depende das transformações no mundo e no ambiente. De forma interativa, ela se desenvolverá e criará contextos de aprendizagem com a participação de pessoas que formarão a comunidade escolar e poderão cumprir a missão de identificar, propor, discutir e colaborar para agir em favor da transformação social e desenvolvimento ecológico.
4. A ESCOLA REFLEXIVA
Conforme os comentários desenvolvidos, pautados nas idéias acima citadas pela autora - no desejo de conceituar de forma esclarecedora esse relevante tema: “a escola reflexiva” - entende-se que a escola torna-se reflexiva na medida em que ela, como organização escolar, mediante as suas reflexões e atitudes demonstra, constantemente, interesse ao pensar-se a si própria a fim de que não se distancie dos propósitos contidos na missão a que foi confiada. Quando uma escola se pensa a si mesma, consequentemente se conhece e já que se conhece estará apta para interrogar-se também, pois é estabelecido, dessa maneira, um clima de intimidade o qual lhe indicará os meios e formas de lidar consigo própria tornando-a então numa instituição com autonomia e responsabilidade para agir conforme as necessidades – autonomizando e educando simultaneamente. Portanto, é de única e exclusiva a competência da própria escola mudar a sua “cara”. Desse jeito a escola estará pensando no presente para enfrentar o futuro com uma educação de qualidade, com vistas na prática do enfrentamento de situações por meio dos questionamentos e diálogos visando uma compreensão que anteceda a sua ação.
A escola, como as demais organizações precisam adequar-se, seriamente, para lidar com as mais diversas situações, devido às transformações que têm ocorrido atualmente. Diante do que já foi comentado em relação à mudança na escola, ressalta-se a necessidade em dar-lhe sentido e atualizá-la, pois assim estará evitando que os componentes envolvidos na mesma não sejam qualificados como meros expectadores – comumente, sem direito à vez e voz - mas que assumam a função de atores – pensando, refletindo, falando, dialogando, interagindo, co-participando etc.; que estejam inseridos em todo o processo conforme as suas competências e jamais enquadrados na qualidade de agentes passivos, manipulados, alienados, etc. Assim acontecendo, evitar-se-á que a organização venha a fadar-se do insucesso.
A escola reflexiva, que perpassa pelo desenvolvimento e aprendizagem, deve-se ao fato de ter sido construída sobre os alicerceis do conhecimento e da prática reflexivas, imbuídos no desejo da compreensão sobre os variados aspectos que lhe confere existência na esfera da educação. É imprescindível a existência de uma visão partilhada em função de orientar o percurso a ser galgado, seguida da reflexão alusiva aos efeitos da concretização dessa visão, pois dessa, depende a elaboração do projeto, o qual deve ser construído de maneira que todos os componentes participem com responsabilidade e interação a fim de que as estratégias se entrelacem de uma extremidade à outra.
Para a escola ser mudada é preciso assumi-la como um organismo vivo, possuidor de competências que o sustentam e atendem aos requisitos necessários para o desenvolvimento do processo educativo, pois, estando em constante desenvolvimento e aprendizagem, se identificam com os humanos que, igualmente, em interação desenvolvem-se e aprendem.
Ao assumirmos a escola como tal organismo e em seguida compará-lo, em certos aspectos às pessoas, tem-se que, no modelo bronfenbreniano do desenvolvimento humano conjectura-se que o homem sofra influência de diferentes contextos interligados um ao outro, sendo que entre eles, um se destaca por constituir-se pelas ideologias e valores aceitos pelo ambiente sócio-político-cultural, razão que o fará exercer significante influência sobre os demais. O desenvolvimento humano acontece de acordo com a maneira como o indivíduo atua na realidade, sendo o mais desenvolvido aquele que vai demonstrando maior competência na compreensão dessa realidade e ação sobre a mesma.
Esse modelo pode ser igualmente aplicado para o desenvolvimento instituicional visto que, com base nos fatos ocorridos nas instituições evidencia-se a existência de mudança de nível do desenvolvimento dessas instituições conforme a sua atuação nos determinados ambientes. Portanto a escola precisa exercitar a compreensão para fazer uma leitura dos ambientes e agir, precisamente, sobre os mesmos. Deve ainda manter-se aberta a si própria em função de abrigar-se e, sobretudo, pensar-se estratégica e eticamente, sendo essa, uma dimensão fundamental.
A escola reflexiva é aquela que pensa a si próprio, ou seja, os sujeitos que vivem nela pensa em si e nos outros. Nada define melhor o conceito de escola Reflexiva do que essas palavras de Habermas citadas por Alarção. “Só o Eu que se conhece a si próprio e questiona a si mesmo é capaz de aprender, de recusar tornar-se coisas e de obter a autonomia.” É preciso que a instituição tenha a capacidade de ler os ambientes e de agir sobre o ambiente (Alarção, 2002, p. 28)
A escola reflexiva é aquela que antes, durante e depois pensa suas ações, pratica um trabalho planejado colaborativo, considerando o ser humano como objeto principal, mantén-se aberta para a comunidade de onde ela retira suas leituras para construir estratégias mais eficazes de aprendizagens. Em interação com as inovações não se isola e desta forma projeta-se no contexto global.
Alarção apresenta uma escola reflexiva que se conhece a si propria e questiona a si mesmo e que é capaz de entender os seus desafios e superá-lo, essa escola muitas das vezes parece um modelo útopico, diante das realidades escolares que têm se apresentado, conseguir conceber uma escola reflexiva só é possível quando se acredita que numa prática reflexiva que acompanha o desejo de compreender a razão da existência desse instituição na vida da sociedade.
“Quando consideramos a escola como um organismo vivo inserido em um ambiente próprio”, entendemos que a escola deixou de ser um prédio com pessoas conformadas, silenciosa e se tornou um organização ativa e possuidora de elementos vivos na qual cada um tem seu potencial neste espaço.
Por isso, a escola não pode se tornar um lugar fechado, mas sim aberto a conhecer, a pensar ......
A escola reflexiva diferente de outras escolas pensa sobre a sua prática, sua missão social e organização envolvendo todos os atores escolares de forma que todos os setores dialoguem entre si, envolvendo todos na construção do seu projeto e na avaliação dos resultados.
É uma escola que observa a realidade social de sua comunidade interna e externa para desenvolver ações para a intervenção de problemas, compreendendo e dialogando antes de agir.
As escolas precisam mudar para se atualizarem e exercerem as suas funções sociais num mundo de mudanças e incertezas. A atualização das escolas implica na aprendizagem para além da reprodução e memorização e passividade, os educandos devem ser mobilizados para a participação, reflexão, diálogo e tomada de decisão.
A escola reflexiva, em desenvolvimento e aprendizagem surge pelo pensamento e pratica reflexivos da sua existência, características, função social e identidade própria. O seu projeto é construído por seus membros de forma dialogada.
A apresentação da concepção de Bronfenbrenner auxilia na reflexão sobre a influência que o conjunto de contextos interligados podem exercer. Alarcão elucida que o desenvolvimento institucional em determinado contexto sócio-político-cultural pode possibilitar a mudança como pode estagnar. A escola é um organismo vivo que semelhante as pessoas se desenvolve em interação.
O desenvolvimento escolar acontece quando a instituição desenvolve a capacidade de ler os ambientes e agir sobre eles, de forma aberta, flexível e pensar estratégica e eticamente. Muitas instituições tem se desenvolvido sem considerar a dimensão ética, humana e interpessoal, mas para que a instituição escolar vivencie a cidadania cumprindo a sua função social é necessário que essas dimensões não sejam esquecidas. A escola como local de vivências e interações precisa ser reconhecida como espaço de cidadania, respeito pela diversidade e cooperação.
A escola reflexiva é aquela que pensa na sua função, missão, nos seus atores e coautores. É a escola que reflete para agir e novamente refletir. É a escola que antes de ensinar a ser cidadã, é cidadã e ensina pelo exemplo. É a escola que forma sujeitos para serem autônomos, reflexivos e criativos.
A escola reflexiva age no presente pensando nas mudanças que proporcionará no futuro. A escola reflexiva não deseja formar sujeitos passivos e acríticos.
A escola que Alarcão propõe, talvez seja a escola dos sonhos de todo educador. Contudo, propõe inúmeras mudanças, e mudanças como nós sabemos sugerem muito trabalho e reviravoltas. Talvez seja por isso que a escola reflexiva ainda não implacou. Além disso, como já é sabido, educação de qualidade não é de interesse do nosso governo.
5. A ESCOLA REFLEXIVA NO ENQUDRAMENTO DOS NOVOS PARADIGMAS EDUCACIONAIS
Diante dos paradigmas em que são abordadas as novas tendências, atualmente presenciam-se também, alterações nos paradigmas educacionais.
Vários são os fatores que têm levado empresas e indústrias a buscarem por medidas que lhes dêem suporte para enfrentar os inevitáveis desafios que deparam sobre as mesmas. Daí percebe-se a forma interessante como as pessoas foram consideradas relevantes ao terem sido priorizadas em meio aos demais recursos. Houve um reconhecimento merecido e justo ao serem destacados alguns critérios, tornando-as valorizadas e enaltecidas, conforme cita a autora: “Percebeu-se a importância da sua formação, da atualização dos seus conhecimentos, do desenvolvimento das suas capacidades, do seu potencial de trabalho em equipe, da participação ativa como motivação mobilizadora”.( ALARCÃO, 2002, p.28). Além desses destaques apresentam-se como imprescindíveis a participação nas decisões, o direito à voz, bem como a capacidade de responsabilização incluindo-se a avaliação.
Em relação às diferentes concepções quanto à maneira das escolas serem geridas ressaltam-se semelhanças como estão relacionadas às organizações empresariais bem como à necessidade das mesmas converterem-se em organizações aprendentes. Sob essa visão apresentam-se diversos pontos entendidos como importantes em face de um novo paradigma educacional. De acordo com as concepções aqui apregoadas é sensato admitir que “(...) as organizações educativas são, por excelência, sistemas de aprendizagem educacional, se atendermos à qualificação e autonomia dos seus profissionais, à sua ligação permanente ao conhecimento, à centralidade das relações interpessoais e intergrupais nos seus processos de trabalho e às finalidades educativas e sociais que estão na base da sua legitimação pela sociedade”. (SANTIAGO, 2001, p.38, apud ALARCÃO, 2002, p.29). Assim, entende-se que para a existência da escola reflexiva é necessário que se construa seu próprio pensamento associando à formação profissional e ao desenvolvimento humano.
A escola como uma organização que está inserida no mundo globalizado, precisa modificar suas atitudes e relações para buscar fazer parte desse contexto, e nesse contexto as pessoas são considerada como o maior bem da humanidade.
E preciso primeiro pensar no desenvolvimento humano para conseqüentemente se pensar em uma organização escolar que pensa a si mesmo.
Que busca construir conhecimento como seus pares e motivasse a construir uma escola que tenha uma cultura escolar própria.
Os novos paradigmas organizacionais colocam o homem como maior dos recursos, sua formação, desenvolvimento, trabalho em equipe, participação ativa entre outros aspectos. Os pontos abordados no texto revelam a necessidade de mudanças na escola atual, a escola é por excelência uma instituição organizacional e somente uma escola reflexiva poderá enquadrar-se nos novos paradigmas organizacionais que promoverá um trabalho estimulante e capacitará seus educandos no desenvolvimento de suas relações.
Com a globalização, o competividade do mercado, a escola é um lugar que deve trabalhar o potencial de cada pessoa, desenvolvendo suas habilidades para se tornar um ser aprendente capaz de transformar a realidade que vive por meio do diálogo, do conhecimento.
Mais uma vez a importância da os recursos humanos, no desenvolvimento orientado de uma visão prospectiva e sistemática de valores, que resulta no processo de aprendizagem e avaliação como resultado.
Os novos paradigmas organizacionais demonstram as mudanças de estratégias para se ajustar às mudanças ocorridas na sociedade ao longo dos anos com o avanço da tecnologia, globalização, a competitividade e consumismo. Em decorrência desse contexto o humano passou a ser a figura central do processo, incentivando-se o desenvolvimento de competências, atualização de conhecimentos e qualificação. A autora descreve que se passou a valorizar “a participação em decisões, o direito à palavra, a capacidade de responsabilização e avaliação” (2001, p. 29). Consequentemente, o conhecimento sobre gestão foi se estruturando e apresentando características de uma organização dentro do contexto de desenvolvimento e avanço tecnológico, com a concepção de organização aprendente. A autora, nessa perspectiva, apresenta uma nova escola com características semelhantes ao sistema organizacional de empresas, destacando a “importância dos recursos humanos, com visão prospectiva, projeto de ação e colaboração dialogante, articulação sistêmica, vivência de valores, profissionalismo, formação na ação e para a ação, ... e avaliação de processos”. (Alarcão, p. 29, 2001)
Pelas características necessárias a escola contemporânea como: qualificação, autonomia profissional, formação continuada, objetivos sociais, as organizações educativas se estruturam como sistemas de aprendizagem organizacional.
Diante no novo cenário mundial, percebe-se que urge mudar a dinâmica escolar e a concepção de escola reflexiva atende bem as novas demandas exigidas da escola. Pois valoriza aspectos não considerados na atualidade, mas que, no entanto, fazem falta.
A concepção de escola reflexiva também veio trazer um novo modelo organizacional e gerencial para as escolas: a descentralização, trabalho em equipe, organização dinâmica, profissionalismo. Além disso, esse paradigma educacional colocou as pessoas como o maior dos recursos, ou seja, a valorização humana.

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Data de inscrição: 26/04/2010
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